sábado, junho 28, 2008

Início do Ano Paulino

Abertos ao mundo e à evangelização - Paulo de Tarso

Um homem íntegro
no qual não existe um “sim” e um “não”
mas uma vontade forte e decidida.
Sozinho é capaz de construir
uma família universal
.

No início do Ano Paulino desejamos fazer umapequena introdução à figura de S. Paulo e o seu lugar na obra da Evangelização a que toda a Igreja está chamada. S. Paulo ocupa a maior parte do livro dos Actos dos Apóstolos. No cap. 9 narra-se o seu encontro com Cristo e no cap. 13 começa a sua primeira viagem apostólica e torna-se no protagonista dos Actos até ao final.
Paulo não conheceu a Jesus de Nazaré antes da sua morte e ressurreição. Mas Cristo ressuscitado escolheu-o, revelou-lhe o Evangelho e enviou-o a anunciar aos pagãos. Por isso ele é verdadeiro apóstolo, incorporado ao grupo dos doze.
Não escreve, como fazem os evangelistas, um relato continuado dos actos e palavras de Jesus. Elabora sistematicamente a doutrina cristã expondo-a principalmente por meio de cartas às diferentes comunidades ou a alguns dos seus discípulos. É o grande teólogo da Igreja nascente.

1. A conversão (Act 9, 1-19)
Paulo, também chamado Saulo, nasceu em Tarso, no seio do povo judeu, apesar de ter o título de “cidadão romano”. Educado em Jerusalém na escola de Gamaliel, era um fariseu convicto e, por isso mesmo, perseguidor das primeiras comunidades cristãs.
Nas suas perseguições contra os cristãos previu tudo menos o imprevisível: chocou com a montanha de Javé, como o Titanic contra o iceberg.
A sua conversão narra-se três vezes no livro dos Actos. A primeira no cap. 9 e nos cap. 22 e 26 o próprio Paulo narra a sua experiência. Enquanto caminha tem uma visão e existe um diálogo. Os companheiros vêem a luz e escutam uma voz, mas não vêem ninguém nem entendem a mensagem. É Paulo o destinatário deste facto e que ele o considera ao nível das manifestações do Ressuscitado quando aparece aos doze (1 Cor 15, 5-9). Deslumbrado pela luz ficou cego, mas ao receber o baptismo, depois do diálogo com Ananias, começa a ver e é recebido pela comunidade.
Esta manifestação teve muita importância na vida futura de Paulo como também a deve ter na nossa vida: a importância insubstituível da Ressurreição de Cristo como fundamento da fé, a Igreja como Corpo de Cristo na sua plena identificação, a doutrina da justificação pela fé.

2. As viagens apostólicas
A partir do cap. 13 narram-se as três grandes viagens apostólicas: (primeira: 13 e 14; Segunda: 15, 36 a 18, 22; terceira: 18, 23 a 21, 16). Teremos de acrescentar o cativeiro em Cesareia e em Roma (21, 17 até ao fim).
Nestas viagens Paulo, acompanhado por algum dos seus discípulos, percorre muitos lugares da Ásia Menor (actual Turquia) e da Grécia. Normalmente começa por evangelizar os judeus, visitando a sinagoga nos sábados e dirige a palavra tendo como centro da sua mensagem a Cristo morto e ressuscitado. Quando os judeus se negam a escutar a sua mensagem, dirige-se aos pagãos nos quais encontra receptividade à fé. São muitos os sofrimentos que experimenta, especialmente por parte das comunidades judaicas.

3. Cartas de Paulo
A actividade apostólica de Paulo exerceu-a de viva voz e por cartas onde comunicava com os seus fiéis, deixando para o posteridade valiosas cartas que nos permitem falar dele como escritor. São cartas que respondem a situações concretas desta ou daquela comunidade (Tessalónica, Corinto...) ou de pessoas concretas (Timóteo, Tito). Mas pelos temas tratados e pelo carisma da inspiração têm um valor universal. O próprio Paulo manda, às vezes, que se leiam noutras comunidades (Col 4, 16). Assim o entendeu o povo cristão que as reuniu cuidadosamente e, juntamente com os Evangelhos, fazem parte dos escritos canónicos.
O plano geral destas cartas é bastante uniforme:
- Começam por uma saudação. Costuma unir a saudação grega “graça” e a hebraica “paz”. Segue-se uma introdução mais ou menos longa em forma de acção de graças.
- Exposição doutrinal do tema que se quer tratar. Aqui não pode haver um módulo concreto, mas depende muito dos temas a tratar.
- Exortação à prática da doutrina e vida cristã.
- Saudações a pessoas particulares e benção final.

A ordem cronológica pela qual devem ser colocadas as cartas de Paulo nem sempre é fácil de determinar. Exceptuando a Carta aos Hebreus que não é de Paulo, a ordem provável parece ser a seguinte:

a) Primeiros escritos
I e II Tessalonicenses, escritas com poucos meses de intervalo durante a segunda viagem apostólica, provavelmente depois da chegada de Paulo a Corinto, pelo ano 51. O tema destas cartas é o escatológico.

b) Grandes cartas
I e II Coríntios, Gálatas e Romanos. Escritas durante a terceira viagem apostólica, entre os anos 56/58. São as quatro cartas mais extensas de Paulo.


c) Cartas do cativeiro
Colossenses, Efésios, Filémon e Filipenses. Escritas provavelmente desde Roma durante o sua prisão, pelo ano 62.

d) Cartas pastorais
I Timóteo, Tito e II Timóteo. Escritas durante os anos 65/67, provavelmente por esta ordem. As três cartas são muito parecidas entre si quer no conteúdo quer na forma e contêm principalmente avisos acerca do ministério pastoral. Daí o nome de cartas pastorais.
Notícias:
Dia 29, às 16 h, na nossa Catedral vão ordenados dois novos sacerdotes - o Gilberto e o Helder - e um diácono - o Valter - a quem desejamos as maiores bênçãos de Deus e de Nossa Senhora. Contai com a nossa amizade e oração. Estes votos são extensivos aos que vão receber os ministérios.
Dia 29 - 30 temos o Lausperene em São Vicente. O Santíssimo ficará esposto das 21 H de Domingo até às 21 H de Segunda. Não deixe depassar pela nossa Igreja Paroquial e faça umtempo longo de adoração a Jesus na Eucaristia.

domingo, junho 22, 2008

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM

As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo… Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens.
No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.

domingo, junho 15, 2008

XI Domingo Comum - A messe é grande...

Como cenário de fundo desta catequese sobre o envio dos discípulos está o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Não esqueçamos isto: Deus nunca Se ausentou da história dos homens; Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.
•Como é que Deus age hoje no mundo? A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
• Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”. Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?
• Qual é a missão dos discípulos de Jesus? É lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas económicos geradores de bem-estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?
• As obras que eu realizo são verdadeiramente um anúncio do mundo novo que está para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?
• O nosso serviço ao “Reino” é um serviço totalmente gratuito, ou é um serviço que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal?

sábado, junho 07, 2008

10º Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.
Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.