sábado, fevereiro 23, 2008

III Domingo da Quaresma - A Samaritana (Evangelho catecumenal)

Jesus revela-se como a água viva que vem matar a nossa sede de Deus e do sentido para a vida
Uma mulher do povo - a samaritana (Jo 4, 4-30)
A rivalidade entre samaritanos e judeus era já de tempos antigos e com os quais Jesus tinha de se encontrar ao passar da Judeia para a Galileia.
O caminho tinha sido longo, Jesus sente-se esgotado. É meio dia e senta-se junto do poço de Jacob. Chega uma samaritana e Jesus pede-lhe água. Aparecem os primeiros sinais de inimizade entre judeus e os samaritanos. Mas por iniciativa de Jesus começa um diálogo salvador.
A primeira parte do diálogo (vv. 7-15) tem a água como pano de fundo. Da água do poço, Jesus passa a falar da água viva. Em Caná a água das purificações (que equivale à água do poço de Jacob) é substituída pelo vinho do banquete do reino. No episódio de Nicodemos a água é associada ao Espírito como fonte de vida nova. Esta é a água que brota de Cristo e salta até à vida eterna. É a mesma que brotará do lado do Senhor.
Como Nicodemos, a mulher não entende a s palavras de Jesus; atreve-se a pedir-lhe água como um desafio, mas dá-se início a um caminho de fé. Jesus ultrapassa as diferenças entre judeus e samaritanos e trata de excitar a curiosidade da mulher falando-lhe de uma água que é verdadeiro Dom de Deus. O povo considerou como Dom de Deus a água que brotou da rocha no deserto (Num 20, 2-13); Paulo comenta que a rocha era Cristo (1 Cor 10, 4).
Na segunda parte do texto (vv. 16-26) o diálogo toma outra direcção:
- Jesus interessa-se pela família da mulher;
- Ela confessa a sua situação familiar;
- O interesse recai directamente no aspecto religioso;
- Jesus manifesta-se claramente como o Messias.
Isto é um exemplo de pedagogia na catequese: arrancando dos pontos de interesse pessoais e familiares, chega-se à plena revelação da verdade messiânica.
É a própria mulher que faz a pergunta do ponto de vista religioso. O ponto central de divergência entre judeus e samaritanos era o Templo como lugar de culto (Jerusalém ou Garizim). Jesus declara caduco o culto que se oferece no Templo e tem de ser substituído por um culto novo em Espírito e em verdade. A mudança é radical: Jesus, o novo Templo, oferece-se a si mesmo como sacrifício, o único válido e agradável aos olhos do Pai. A instituição fica abolida.
A mulher, que o tinha confessado como profeta, apela à chegada eminente do Messias que “tudo explicará” (= os samaritanos esperavam um Messias revelador, enquanto que os judeus esperavam um Messias libertador político). Jesus aceita o messianismo dos samaritanos e manifesta-se claramente, coisa que não fará aos judeus.
A samaritana deixa o cântaro porque aceitou já a nova água. A fé converte-a em testemunha e vai dar aos seus compatriotas a notícia. Os seus vizinhos também se encontrarão pessoalmente com Jesus.
Quando chegam os discípulos, o tema da água é substituído pelo da comida (31-38). Para Jesus o verdadeiro alimento é cumprir a vontade do Pai.
O campo já está preparado; a ceifa será abundante, como se mostra na conversão de muitos dos samaritanos.

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