sábado, fevereiro 02, 2008

III Domingo Comum - As Bem-aventuranças

As Bem-aventuranças - Carta Magna do Reino (Mt 5, 1-12)
Jesus começa a pregar o seu primeiro grande discurso: o sermão da montanha, que constitui a «Carta Magna» ou a «Constituição» fundamental da nova comunidade do Reino. O sermão da montanha é a chave do Evangelho.
Aproxima-se uma multidão como sinal de universalidade: vêm da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão - não apenas a totalidade do povo judeu, mas de toda a terra, do mundo inteiro.
Distinguimos três planos diferentes caracterizados pelos lugares e pelas pessoas que os ocupam: em l° lugar, Jesus ocupa o primeiro lugar, que simboliza a montanha; 2° lugar, a multidão, um pouco afastada mas na realidade muito próxima porque a ela vão ser enviados os discípulos; 3° lugar, os discípulos que são ouvintes privilegiados da Palavra, para serem depois testemunhas vivas entre os homens.
Como Moisés na montanha Jesus vai dar a sua lei ao novo Israel, a comunidade do Reino, onde existem umas normas mínimas que sejam o distintivo dos cidadãos do reino de Deus. Moisés recebeu de Deus, mas Jesus fala com autoridade própria: «foi dito aos antigos, Eu, porém, digo-vos», porque Jesus não vem acabar com a lei mas dar-lhe pleno cumprimento (5,17-19). Em 5,20 expõe-se o tema que se vai desenvolver: «se a vossa virtude (justiça) não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus» - os escribas eram mestres em teologia, com longos anos de estudo, enquanto os fariseus eram grupos de leigos piedosos, cumpridores rigorosos e até escrupulosos da lei. Jesus no sermão da montanha fala de uma justiça tripartida: a justiça dos escribas, a dos fariseus e a dos seus discípulos.

Para entrar no reino dos Céus é necessário aceitar o plano de Deus sobre os homens. Não se trata de umas leis que temos de cumprir, mas de uma maneira de ser, de um modo de entender a vida.

a) Ser livres
As três primeiras bem-aventuranças falam-nos do primeiro passo para a felicidade, o ser livres. Ser livres, antes de mais nada, das escravidões interiores: a escravidão do dinheiro, do prazer e do poder, que não trazem felicidade, mas antes dificultam a caminho para ela.
b) As outras três bem-aventuranças falam da justiça, do amor e da verdade.
a) As duas últimas falam da paz e da perseguição. Os discípulos de Cristo serão desprezados, perseguidos, levados até à morte porque quando se leva a sério o Evangelho, vê-se como são falsos os valores do mundo. Também Jesus foi perseguido. Foi perseguido por Herodes, os habitantes de Nazaré acusam-nO de curar ao Sábado, querem matá-lO porque ressuscitou Lázaro… Se O perseguiram a Ele também nos perseguirão a nós. Não nos faltarão dificuldades e perseguições, mas a palavra de Cristo continua de pé: «no mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo» (Jo 16,33).
"A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha. Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz" (LG 8).

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