sábado, janeiro 19, 2008

II Domingo Comúm: O dom do Baptismo no Espírito

O testemunho de João sobre Jesus (Jo 1, 29-34)
O episódio começa com uma constatação: “no dia seguinte”. Estas referências cronológicas irão sucedendo-se (1, 35.43) até terminarem no sexto dia, no qual se realizará o primeiro sinal em Caná da Galileia (2, 1). Este testemunho de João substitui o relato do baptismo que encontramos nos sinópticos.
É o testemunho fundamental de João Baptista, que pouco a pouco afirma de Jesus:
- É o Cordeiro de Deus. O simbolismo é múltiplo. É o cumprimento do sacrifício de Isaac. É o cordeiro que todos os dias se sacrifica no Templo. É o servo de Javé, levado ao matadouro (Is 53, 7). É o cordeiro pascal.
- Que tira o pecado do mundo. Como cordeiro pascal liberta-nos de toda a escravidão. Todas as transgressões dos homens ficam personificadas num pecado único, no qual todas têm a sua raiz, sinal da opressão que sofre toda a humanidade. Este pecado, já existente, manifestar-se-á na recusa de Jesus (16, 19).
- Existia antes de mim. Na cronologia humana, Jesus é posterior a João. Mas já tinha dito o evangelista que “no princípio existia a Palavra” (1,1,).
- Sobre Ele desceu o Espírito. João é testemunha: “Eu vi”. Em Marcos (1, 9) parece que Jesus é a única testemunha da teofania do Jordão. Em Mateus (3, 16-17) e em Lucas (3, 21-22) todos os presentes são testemunhas do Espírito que desce e da voz que se ouve. Aqui é o Baptista o único que vê e escuta. Está oferecendo-nos a sua experiência pessoal que responde ao “contemplámos a sua glória” (1, 14). Para João esta vinda do Espírito é sinal do carácter messiânico de Jesus. No princípio, o Espírito pairava sobre as águas (Gen 1, 2). Sobre o tronco de Jessé tinha de repousar o Espírito do Senhor (Is 11, 1). O mesmo sobre o Servo de Javé (Is 42, 1).
Ele baptizará no Espírito Santo. Pela segunda vez consecutiva João confessa que não conhecia Jesus. O seu testemunho apoia-se não no conhecimento humano, mas na revelação divina que ele recebeu e da qual se diz testemunha. O baptismo com água é substancialmente diferente do baptismo com o E. S. A água limpa e purifica de modo superficial e externo. O E. S. penetra até ao mais profundo e purifica o próprio interior. Este baptismo com o Espírito é o meio de tirar o pecado do mundo. Quem não nasça da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (3, 5).
- Este é o Filho de Deus. Chegamos ao ponto culminante do testemunho do Baptista. Jesus recebeu do Pai a sua própria vida e o seu próprio Espírito. Este é o tema que desenvolverá todo o Evangelho, escrito, “para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus” (20, 31).
Jesus recebeu com o Espírito a sua investidura messiânica. Deste modo cumprir-se-á a sua missão de libertar todo o homem da opressão do pecado.

sábado, janeiro 12, 2008

Baptismo do Senhor - 13 de Janeiro

Pelo Baptismo somos novas criaturas
O Baptismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho, quando mandou aos Apóstolos: «Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Por essa razão o Baptismo é, em primeiro lugar, o sacramento daquela fé pela qual os homens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao Evangelho de Cristo.
Além disso, o Baptismo é o sacramento pelo qual os homens se tornam membros do corpo da Igreja, edificados uns com os outros em morada de Deus no Espírito e em sacerdócio real e povo santos, é também vínculo sacramental da unidade que existe entre todos os que são assinalados por ele.
O Baptismo, banho de água acompanhado da palavra da vida, limpa os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal e torna-os participantes da natureza divina e da adopção de filhos (…) A invocação da Santíssima Trindade sobre os baptizandos faz com que estes, marcados pelo seu nome, Lhe sejam consagrados e entrem em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Superando de longe as purificações da antiga lei, o Baptismo produz estes efeitos pela força do mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor. Na verdade, os que são baptizados, são configurados com Cristo por morte semelhante à sua, sepultados com Ele na morte, também n’Ele são restituídos à vida e juntamente com Ele ressuscitam.
(Cf. Ritual da celebração do Baptismo)