A BÍBLIA E O TELEMÓVEL
Terminou o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e missão da Igreja. Importa realçar a sua importância na nossa vida cristã. Nada melhor do que fazer uma pequena comparação entre o uso que fazemos da Bíblia e do telemóvel.
E se levássemos sempre connosco a Bíblia para todo o lado como levamos o telemóvel?
E se voltássemos a casa porque nos esquecemos dela?
E se a usássemos para receber e enviar mensagens de texto?
E se a oferecêssemos como prenda aos mais jovens?
E se a usássemos quando viajamos?
E se a usássemos em caso de emergência?
Não devemos ter medo que a nossa Bíblia esteja desligada ou sem rede… porque Jesus já pagou a conta. Sempre tem cobertura de rede. O Operador sempre funciona. A Bíblia tem sempre carga suficiente. Qual a razão porque não damos à Bíblia a importância que ela tem? A Bíblia dá-nos Deus e o que Deus nos oferece é…. Amor! E Deus e o seu amor são eternos.
segunda-feira, novembro 17, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
Primeira Carta de S. Paulo aos Tessalonicenses
No texto que vem a seguir afirma-se que é a segunda Carta aos Tessalonicenses que andamos a ler nas eucaristias de Domingo. Como facilmente se pode ver pelo comentário, trata-se da Primera Carta aos Tessalonicenses e não da segunda.
Carta aos Tessalonicenses
A liturgia dominical apresenta-nos a segunda Carta de S. Paulo aos Tessalonicenses. Para uma melhor compreensão desta Carta, apresento uma iniciação à sua leitura.
1. Circunstâncias do diálogo epistolar
Esta primeira carta de S. Paulo foi escrita por volta do ano 50, na Acaia, mais perto de Corinto que de Atenas (Cf. Act 17-18; 1Ts 2,17-3,13). Os crentes de Tessalónica são pagãos convertidos «como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro» (1 Ts 1,9) e, por causa da sua adesão ao Evangelho, tiveram de pagar um duro preço (1,7; 2,14) e continuam a pagá-lo mesmo depois do apóstolo ter ido embora por causa das perseguições movidas pelos judeus (3,2-3). A fidelidade que mostram a toda a prova, mesmo após a partida dos missionários (Paulo, Timóteo, Silvano), é confirmada por Timóteo quando regressa a Tessalónica (3,6-8). Paulo dá graças a Deus pelos cristãos tessalonicenses que manifestam uma fé activa, um amor comprometido e uma esperança firme. Na sua carta exorta-os a crescer na fé (4,1-2.10, dá-lhes instruções sobre o amor fraterno (4,9) e sobre a iminência do fim dos tempos, na qual já estão suficientemente instruídos (5,1).
Mas há um ponto obscuro: 4,13-18. Paulo dá conta de uma certa ignorância dos tessalonicenses, o que se traduz numa grande tristeza: «Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança» (4,13). Necessitam luz sobre o destino último dos irmãos mortos para ficarem confortados (4,18).
No que se refere à análise desta primeira Carta podemos ver as seguintes partes: Início (1,1), o final (5,25-28) e o corpo da Carta que forma um todo compacto. Este corpo está dividido em duas partes: 1,2-3,13 e 4,1-5,24.
Primeira parte
A secção dos capítulos 1-3 caracteriza-se por uma tríplice comunicação “eucarística” (acção de graças) de 1,2; 2,1 e 3,9 que assinala todo o conjunto: 1,2-2,12; 2,13-16; 2,17-3,10. Na primeira parte os remetentes dão graças a Deus pela fé activa, o amor operante e a esperança firme e pela sua eleição divina. Na segunda, a acção de graças é motivada pelo acolhimento da Palavra de Deus (2,13), enquanto na terceira, S. Paulo realça a fidelidade dos tessalonicenses, motivo de grande alegria para ele (3,9) segundo as boas notícias recebidas de Timóteo (3,6). A secção encerra com uma dupla súplica (3,11-13), motivo litúrgico que reaparece no final da segunda parte da Carta (5,23-24), ambas com um forte sentido escatológico.
Segunda parte
Esta segunda parte caracteriza-se pelo «pedimos e exortamos» que mostram a unidade literária de 4,1-8; 4,912; 5,12-13 e 5, 14-22. As outras duas unidades, 4,13-18 e 5,1-11, são introduzidas pelas fórmulas «no que diz respeito aos mortos» e «no que se refere ao tempo e ao momento», concluindo com dupla exortação: «Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras» (4,18) e «Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como já o fazeis» (5,11). Paulo quer tirar da ignorância os tessalonicenses e, para isso, fundamenta a sua fé em Jesus morto e ressuscitado (4,14ª), dando a seguir a palavra do Senhor: «De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram. Eis o que vos dizemos, baseando-nos numa palavra do Senhor: nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que faleceram» (4,14-15). A finalidade é exortá-los a um comportamento concreto: «Ser filhos da luz e filhos do dia» (5,6.8) porque eles não foram destinados à condenação mas sim à salvação (5,9). A razão consiste em estar com Cristo no seu Reino (5,10).
2. A eleição divina dos crentes de Tessalónica
Este é o tema central desta primeira carta aos tessalonicenses: «conhecendo bem, irmãos amados de Deus, a vossa eleição, pois o nosso Evangelho não se apresentou a vós apenas como uma simples palavra, mas também com poder e com muito êxito pela acção do Espírito Santo» (1,4-5).
A originalidade desta eleição divina consiste no facto de que vale para todo o grupo de crentes de Tessalónica, os que foram idólatras (1,9) e pagãos que não conheciam a Deus (4,5) e que no passado estavam privados de esperança (4,13), sentindo-se seguros pela ordem externa (paz e segurança, 5,3), sem futuro e condenados (1,10;5,9). Pois bem, agora que se converteram em eleitos de Deus, adquiriram uma nova identidade espiritual, não pelos seus méritos mas por uma intervenção directa e livre por parte de Deus.
3. A santificação
O conteúdo das exortações paulinas é variado e múltiplo, umas vezes concreto e outras vezes geral: agradar a Deus (4,1) e comportar-se decorosamente aos olhos dos irmãos (4,12); amor recíproco e fraterno (4,9-10), esperar a vinda do Senhor estando vigilantes e sóbrios (5,6-8), isto é, regras práticas de vida comunitária. Mas o motivo que ele mais realça é o da santidade, tal como aparece em 4,3-8. Se a santidade aparece objectivamente especificada no sentido sexual (abster-se da fornicação, unir-se à mulher de modo santo e honroso e não defraudar o irmão nesta matéria), nas duas orações de 3,12-23 e 5,23-24 revela-se uma completa integridade de vida que se manifestará no juízo final de Deus e na parusia de Cristo.
A exortação Paulina à santidade centra-se radicalmente na história da salvação em três tempos: o passado, quando os tessalonicenses foram chamados por Deus a acreditar e a santificarem-se, sendo destinados à salvação; o presente, como filhos da luz aos quais se exige acções consequentes; e o futuro, salvos na parusia de Cristo diante do qual se devem apresentar irrepreensíveis.
Esta primeira carta de S. Paulo foi escrita por volta do ano 50, na Acaia, mais perto de Corinto que de Atenas (Cf. Act 17-18; 1Ts 2,17-3,13). Os crentes de Tessalónica são pagãos convertidos «como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro» (1 Ts 1,9) e, por causa da sua adesão ao Evangelho, tiveram de pagar um duro preço (1,7; 2,14) e continuam a pagá-lo mesmo depois do apóstolo ter ido embora por causa das perseguições movidas pelos judeus (3,2-3). A fidelidade que mostram a toda a prova, mesmo após a partida dos missionários (Paulo, Timóteo, Silvano), é confirmada por Timóteo quando regressa a Tessalónica (3,6-8). Paulo dá graças a Deus pelos cristãos tessalonicenses que manifestam uma fé activa, um amor comprometido e uma esperança firme. Na sua carta exorta-os a crescer na fé (4,1-2.10, dá-lhes instruções sobre o amor fraterno (4,9) e sobre a iminência do fim dos tempos, na qual já estão suficientemente instruídos (5,1).
Mas há um ponto obscuro: 4,13-18. Paulo dá conta de uma certa ignorância dos tessalonicenses, o que se traduz numa grande tristeza: «Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança» (4,13). Necessitam luz sobre o destino último dos irmãos mortos para ficarem confortados (4,18).
No que se refere à análise desta primeira Carta podemos ver as seguintes partes: Início (1,1), o final (5,25-28) e o corpo da Carta que forma um todo compacto. Este corpo está dividido em duas partes: 1,2-3,13 e 4,1-5,24.
Primeira parte
A secção dos capítulos 1-3 caracteriza-se por uma tríplice comunicação “eucarística” (acção de graças) de 1,2; 2,1 e 3,9 que assinala todo o conjunto: 1,2-2,12; 2,13-16; 2,17-3,10. Na primeira parte os remetentes dão graças a Deus pela fé activa, o amor operante e a esperança firme e pela sua eleição divina. Na segunda, a acção de graças é motivada pelo acolhimento da Palavra de Deus (2,13), enquanto na terceira, S. Paulo realça a fidelidade dos tessalonicenses, motivo de grande alegria para ele (3,9) segundo as boas notícias recebidas de Timóteo (3,6). A secção encerra com uma dupla súplica (3,11-13), motivo litúrgico que reaparece no final da segunda parte da Carta (5,23-24), ambas com um forte sentido escatológico.
Segunda parte
Esta segunda parte caracteriza-se pelo «pedimos e exortamos» que mostram a unidade literária de 4,1-8; 4,912; 5,12-13 e 5, 14-22. As outras duas unidades, 4,13-18 e 5,1-11, são introduzidas pelas fórmulas «no que diz respeito aos mortos» e «no que se refere ao tempo e ao momento», concluindo com dupla exortação: «Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras» (4,18) e «Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como já o fazeis» (5,11). Paulo quer tirar da ignorância os tessalonicenses e, para isso, fundamenta a sua fé em Jesus morto e ressuscitado (4,14ª), dando a seguir a palavra do Senhor: «De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram. Eis o que vos dizemos, baseando-nos numa palavra do Senhor: nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que faleceram» (4,14-15). A finalidade é exortá-los a um comportamento concreto: «Ser filhos da luz e filhos do dia» (5,6.8) porque eles não foram destinados à condenação mas sim à salvação (5,9). A razão consiste em estar com Cristo no seu Reino (5,10).
2. A eleição divina dos crentes de Tessalónica
Este é o tema central desta primeira carta aos tessalonicenses: «conhecendo bem, irmãos amados de Deus, a vossa eleição, pois o nosso Evangelho não se apresentou a vós apenas como uma simples palavra, mas também com poder e com muito êxito pela acção do Espírito Santo» (1,4-5).
A originalidade desta eleição divina consiste no facto de que vale para todo o grupo de crentes de Tessalónica, os que foram idólatras (1,9) e pagãos que não conheciam a Deus (4,5) e que no passado estavam privados de esperança (4,13), sentindo-se seguros pela ordem externa (paz e segurança, 5,3), sem futuro e condenados (1,10;5,9). Pois bem, agora que se converteram em eleitos de Deus, adquiriram uma nova identidade espiritual, não pelos seus méritos mas por uma intervenção directa e livre por parte de Deus.
3. A santificação
O conteúdo das exortações paulinas é variado e múltiplo, umas vezes concreto e outras vezes geral: agradar a Deus (4,1) e comportar-se decorosamente aos olhos dos irmãos (4,12); amor recíproco e fraterno (4,9-10), esperar a vinda do Senhor estando vigilantes e sóbrios (5,6-8), isto é, regras práticas de vida comunitária. Mas o motivo que ele mais realça é o da santidade, tal como aparece em 4,3-8. Se a santidade aparece objectivamente especificada no sentido sexual (abster-se da fornicação, unir-se à mulher de modo santo e honroso e não defraudar o irmão nesta matéria), nas duas orações de 3,12-23 e 5,23-24 revela-se uma completa integridade de vida que se manifestará no juízo final de Deus e na parusia de Cristo.
A exortação Paulina à santidade centra-se radicalmente na história da salvação em três tempos: o passado, quando os tessalonicenses foram chamados por Deus a acreditar e a santificarem-se, sendo destinados à salvação; o presente, como filhos da luz aos quais se exige acções consequentes; e o futuro, salvos na parusia de Cristo diante do qual se devem apresentar irrepreensíveis.
terça-feira, outubro 14, 2008
Rezar com a Palavra de Deus
Neste mês dedicado à palavra de Deus, celebrando nesta semana o dia de S. Teresa de Ávila e a semana das missões, aprendamos a rezar com a Palavra de Deus.
DECÁLOGO PARA FAZER DA PALAVRA DE DEUS ORAÇÃO
A Palavra de Deus é a primeira e insubstituível fonte para fazermos bem a oração. A oração é a respiração da alma, afirmou o Papa Bentto XVI. A oração não é tempo perdido, mas tempo precioso. A oração, escreveu Tagore, é a "fechadura" da tarde e a "chave" da manhã.
A Oração, diz S. Teresa de Ávila, é um "estar em diálodo com quem sabemos que nos ama”. A oaração é colóquio e contemplaçãode de amor: “Ele olha-me e eu olho para Ele”, disse o santo Cura de Ars.
Para rezar bem tenhamos em conta alguns conselhos sobre a oração a partir da Palavra de Deus.
1. ESCUTA: cala e escuta.
2. ESCUTA BEM: Não rezes para que Deus realize os teus desejos, mas para que tu descubras e interpretes os planos de Deus.
3. PEDE: Mas não esqueças que a força da tua debilidade é a oração.
4. PEDE BEM: Pede com atenção, humildade, insistência, unido a Cristo. “Pedi e recebereis”, disse Jesus.
5. REZA COM O CORAÇÃO: Não sabes que dizer a Deus? Fala-lhe da tua vida, dos teus problemas… Com confiança porque Ele é teu Pai.
6. CALA-TE: Não convertas a tua oração num monólogo. Torna Deus autor dos teus próprios pensamentos.
7. SÊ TU MESMO: Não sejas azedo, nem facilmente humilde. Reza como o publicano e não como o fariseu.
8. ESTÁ: Não te preocupes pelas distracções involuntárias. Deus é como o sol, brônzea pelo facto de estarmos ao sol.
9. LÊ: Se alguma vez pensas, quando falas com Deus, Ele responde-nos, lendo a Bíblia. É a sua Palavra. Palavra de vida eterna, Palavra que hoje e aqui te fala a ti mesmo.
10. VIVE: Não fales nunca em momentos de oração, faz da tua vida “uma oração”.
sexta-feira, setembro 05, 2008
Domingo XXIII - Ano A
Procurar a correcção daquele que ofende
É isto que deseja Jesus quando exige do discípulo ofendido a correcção daquele que o ofendeu. Jesus não se dirige àquele que tem autoridade na Igreja, mas sim a quem foi vítima do seu irmão. A correcção não é, especificamente, tarefa de governo, é o trabalho quotidiano dos irmãos; porque devemos tomar nota que “não é o que ofende, mas sim o ofendido, quem tem de procurar a reconciliação” (S. João Crisóstemo).
Na vida em comunhão não se pode abandonar à sua sorte o irmão, embora tenha sido ele que me maltratou. A primeira reacção que se espera do ofendido não é que ofereça o seu perdão ao que pecou (contra ele), mas sim que procure a sua correcção; proibir-se a vingança não significa desconhecer a afronta; refugiar-se na indiferença não diminui a falta. O Jesus de Mateus, precisamente porque tem em conta o pecado entre os irmãos e porque o toma a sério, indica o modo de o corrigir, pormenorizando os passos a seguir. O seu interesse em que se corrija é já um indício da preocupação para que não se repita. Ao dizer-nos como temos de corrigir e quem o deve fazer, faz-nos ver o quanto é importante que nos preocupemos pelo bem de quem nos fez mal.
Em primeiro lugar, temos de recusar tudo o que seja publicidade: o que ofende tem de ser advertido particularmente (Mt 18, 15b; cf. c 19, 17) para que se dê conta do seu erro. A repreensão é mais rectificação que reprimenda, pretende convencer e não humilhar, procura o consenso e não a mortificação. O discípulo ofendido deve, pois, persuadir o que o ofendeu do seu pecado em privado, para que fica escondida não tanto a falta quanto a correcção e a honra do que ofende. A correcção procura recuperar o irmão, converter o que ofende em próximo e devolvê-lo como irmão à comunidade. Na comunidade não se deve procurar a justiça retributiva mas sim recuperar a vida em comum.
Em segundo lugar, Jesus considera com realismo o fracasso da primeira tentativa. Se a repreensão em privado não consegue os seus objectivos, que é a conversão, teremos de tornar pública a ofensa e recorrer a testemunhas. A sua presença torna pública e por esta razão mais reforçada, a correcção fraterna. Já não é apenas o ofendido que espera uma mudança, mas sim outras pessoas que dão mais força à correcção fraterna.No caso de não aceitar a correcção, o que ofende tem de ser levado à comunidade: esta é a terceira e suprema instância. O crente ofendido não tem autoridade maior que a comunidade a quem recorre. O papel da comunidade não é o de condenar, mas sim de apoiar o ofendido na sua tentativa de persuasão. O possível desenlace, a ruptura da comunhão, confere uma gravidade fora do normal nesta terceira tentativa; depois desta tentativa, não há outra oportunidade de recuperação do irmão. O considerar pagão um irmão crente comporta negar-lhe a vida em comunidade, ou seja, a excomunhão (fora da comunidade). Não é meu irmão quem me ofende e não se corrige, sempre e quando me tenha empenhado em consegui-lo. E não é por vingança que devo proceder mas sim pela obediência ao mandato do Senhor.
É isto que deseja Jesus quando exige do discípulo ofendido a correcção daquele que o ofendeu. Jesus não se dirige àquele que tem autoridade na Igreja, mas sim a quem foi vítima do seu irmão. A correcção não é, especificamente, tarefa de governo, é o trabalho quotidiano dos irmãos; porque devemos tomar nota que “não é o que ofende, mas sim o ofendido, quem tem de procurar a reconciliação” (S. João Crisóstemo).
Na vida em comunhão não se pode abandonar à sua sorte o irmão, embora tenha sido ele que me maltratou. A primeira reacção que se espera do ofendido não é que ofereça o seu perdão ao que pecou (contra ele), mas sim que procure a sua correcção; proibir-se a vingança não significa desconhecer a afronta; refugiar-se na indiferença não diminui a falta. O Jesus de Mateus, precisamente porque tem em conta o pecado entre os irmãos e porque o toma a sério, indica o modo de o corrigir, pormenorizando os passos a seguir. O seu interesse em que se corrija é já um indício da preocupação para que não se repita. Ao dizer-nos como temos de corrigir e quem o deve fazer, faz-nos ver o quanto é importante que nos preocupemos pelo bem de quem nos fez mal.
Em primeiro lugar, temos de recusar tudo o que seja publicidade: o que ofende tem de ser advertido particularmente (Mt 18, 15b; cf. c 19, 17) para que se dê conta do seu erro. A repreensão é mais rectificação que reprimenda, pretende convencer e não humilhar, procura o consenso e não a mortificação. O discípulo ofendido deve, pois, persuadir o que o ofendeu do seu pecado em privado, para que fica escondida não tanto a falta quanto a correcção e a honra do que ofende. A correcção procura recuperar o irmão, converter o que ofende em próximo e devolvê-lo como irmão à comunidade. Na comunidade não se deve procurar a justiça retributiva mas sim recuperar a vida em comum.
Em segundo lugar, Jesus considera com realismo o fracasso da primeira tentativa. Se a repreensão em privado não consegue os seus objectivos, que é a conversão, teremos de tornar pública a ofensa e recorrer a testemunhas. A sua presença torna pública e por esta razão mais reforçada, a correcção fraterna. Já não é apenas o ofendido que espera uma mudança, mas sim outras pessoas que dão mais força à correcção fraterna.No caso de não aceitar a correcção, o que ofende tem de ser levado à comunidade: esta é a terceira e suprema instância. O crente ofendido não tem autoridade maior que a comunidade a quem recorre. O papel da comunidade não é o de condenar, mas sim de apoiar o ofendido na sua tentativa de persuasão. O possível desenlace, a ruptura da comunhão, confere uma gravidade fora do normal nesta terceira tentativa; depois desta tentativa, não há outra oportunidade de recuperação do irmão. O considerar pagão um irmão crente comporta negar-lhe a vida em comunidade, ou seja, a excomunhão (fora da comunidade). Não é meu irmão quem me ofende e não se corrige, sempre e quando me tenha empenhado em consegui-lo. E não é por vingança que devo proceder mas sim pela obediência ao mandato do Senhor.
segunda-feira, setembro 01, 2008
XXII Domingo Comum
Neste Domingo somos convidados, como discípulos de Jesus, a levar a cruz e a renunciarmos a nós mesmos. “Renunciar e levar a cruz” devem significar para nós o mesmo que para Jesus: uma vida entregue por amor, um projecto de vida que vai mais além da nossa auto-suficiência.
A primeira oposição à meta de Jesus nasce dos seus discípulos que procuram evitar uma missão cujo resultado provoca neles um grande desconcerto e confusão.
O momento culminante do Evangelho é quando Jesus explica as suas opções: A vida salva-se fazendo que ela seja para os outros dom e graça.
A primeira oposição à meta de Jesus nasce dos seus discípulos que procuram evitar uma missão cujo resultado provoca neles um grande desconcerto e confusão.
O momento culminante do Evangelho é quando Jesus explica as suas opções: A vida salva-se fazendo que ela seja para os outros dom e graça.
Levar a cruz deve significar para nós que a vida temsentido quando se entrega e, por isso, não se perde, mas ganha-se; a vida terrena não é definitiva, mas aponta para a vida definitiva junto de Deus; e a verdadeira recompensa acontecerá no nosso encontro com Deus após a nossa morte. Nesse momento receberemos a recompensa pelas nossas boas acções.
Como Santo Inácio de Loiola, nos Exercícios Espirituais, também podemos rezar: «Tomai, Senhor, e recebei a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento, toda a minha vontade, todo o meu ter e ser. Vós mos destes, a Vós os entrego. Tudo é vosso, dai-me o vosso amor e a vossa graça e isso me basta».
Como Santo Inácio de Loiola, nos Exercícios Espirituais, também podemos rezar: «Tomai, Senhor, e recebei a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento, toda a minha vontade, todo o meu ter e ser. Vós mos destes, a Vós os entrego. Tudo é vosso, dai-me o vosso amor e a vossa graça e isso me basta».
domingo, agosto 24, 2008
21 Domingo Tempo Comum
Evangelho: Mt 16,13-20
O reconhecimento por parte de Simão Pedro da verdadeira identidade de Cristo assinala um dos momentos mais importantes da experiência dos apóstolos e da Igreja, que tem em Cristo o seu fundamento.
Pedro, segundo o evangelho, «acredita e reconhece» que Jesus de Nazaré é o «santo de Deus», o consagrado por excelência, o Messias-Cristo.
As consequências de tal reconhecimento marcaram uma história já bi-milenária e que ainda hoje continua a activa na vida de milhões de homens e mulheres do nosso tempo.
1º Reconhecer a Cristo como Deus é fruto da revelação do Pai acolhida com espírito de fé.
2º Este reconhecimento da divindade de Jesus é fonte daquela bem-aventurança que dá ao testemunho cristão coragem e alegria.
3º É sobre a rocha de Pedro e dos apóstolos que a comunidade cristã tem o seu fundamento, o novo e universal povo de Deus. Contra ele serão inúteis as forças do mal e da morte.
4º Pedro e os apóstolos exercem o tríplice poder de governar (atar e desatar), santificar e ensinar. A Igreja está fundada sobre a rocha da fé e do amor.
O reconhecimento por parte de Simão Pedro da verdadeira identidade de Cristo assinala um dos momentos mais importantes da experiência dos apóstolos e da Igreja, que tem em Cristo o seu fundamento.
Pedro, segundo o evangelho, «acredita e reconhece» que Jesus de Nazaré é o «santo de Deus», o consagrado por excelência, o Messias-Cristo.
As consequências de tal reconhecimento marcaram uma história já bi-milenária e que ainda hoje continua a activa na vida de milhões de homens e mulheres do nosso tempo.
1º Reconhecer a Cristo como Deus é fruto da revelação do Pai acolhida com espírito de fé.
2º Este reconhecimento da divindade de Jesus é fonte daquela bem-aventurança que dá ao testemunho cristão coragem e alegria.
3º É sobre a rocha de Pedro e dos apóstolos que a comunidade cristã tem o seu fundamento, o novo e universal povo de Deus. Contra ele serão inúteis as forças do mal e da morte.
4º Pedro e os apóstolos exercem o tríplice poder de governar (atar e desatar), santificar e ensinar. A Igreja está fundada sobre a rocha da fé e do amor.
Ano Paulino (7 semana)
"Desde Jerusálem e, irradiando até à Ilíria, dei plenamente a conhcer o Evangelho de Cristo" (Rom 15, 14-21).
Para rezar: Salmo 95, que convida à celebração da realezauniversalde Cristo.
domingo, agosto 17, 2008
20 Domingo
Este texto do evangelho de S. Mateus prepara o sermão ou o discurso comunitário. A comunidade cristã está formada por discípulos provenientes do judaismo e do mundo pagão. O episódio da mulher cananeia é um prelúdio do convite à salvação e das dificuldades da Igreja dos primeiros tempos em desprender-se do seu passado judaico e aceitar os pagãos e oferecer-lhes o Evangelho.
1.º Fui enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel: Tem compaixão de mim, Senhor, Filho de David
Tiro e Sídon são cidades pagãs. Ao longo do evangelho de Mateus temos uma visão muito particular de abertura e aceitação do mundo pagão. Acontece na infância de Jesus com o nome Emmanuel (genealogia), com a adoração dos magos, no discurso missionário e no final do evangelho: "Todo o poder me foi dado no céu e na terra... Ide e ensinai e fazei discípulos em todas as nações. Baptizai...".
2.º A grandeza da fé: Não está bem que lanceis o pão dos filhos aos cães
Na imagem do cão esconde-se o mundo pagão, mas também para eles, nas palavras da mulher, há esperança. Tem a sua filha muito doente. No coração desta mãe está a fé em Jesus porque a fé é um encontro pessoal entre Deus e os homens. Deus aparece como misericordioso, amigo, benfeitor, o que deseja a nossa felicidade.Vivendo e testemunhando a fé colocamo-nos à "altura" de Deus. A fé torna-nos omnipotentes porque Aquele com quem entramos em comunhão é Omnipotente.
Ano Paulino:
«Vós fizeste-vos imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra (1 Ts 1, 2-10)
Para rezar: Salmo 144, de louvor a Deus, nomeadamente pelo anúncio das suas maravilhas.
sábado, julho 19, 2008
XVI Domingo - O Espírito vem em nosso auxílio (Rm 8, 26-27)
O tempo presente é um longo período de parto do qual nascerá uma nova criação. É o tempo das dores do cosmos e do homem (vv.22ss). Aprofundando a reflexão que vinha fazendo, S. Paulo afirma algo extraordinário: Deus faz seu o sofrimento da criação através do seu Espírito, que leva a bom termo esta colossal gravidez a partir do coração dos crentes. O Espírito Santo transforma cada dor, porque Deus “intercede pelos crentes segundo a sua vontade” (v. 27).
A nossa debilidade torna-nos não só impotentes para realizar o bem, mas até para compreender qual é o bem verdadeiro. E Deus vem em nossa ajuda. Não nos liberta – no momento presente – da nossa condição; pelo contrário, torna-se fraco connosco e em nós por meio do Espírito Santo. Assim, se prolonga no tempo, através dos crentes, o escândalo da cruz de Cristo: “Pois o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens” (1 Cor 1, 25). Esta “fraqueza” de Deus conduzirá a história dos homens até que Cristo seja tudo em todos.
*************
Ano Paulino – 4ª Semana
Para reflexão: Pela graça de Deus sou o que sou (1 Cor 15, 1-11).
Para rezar: Salmo 138, ou a confiança em Deus que desde sempre nos conhece.
A nossa debilidade torna-nos não só impotentes para realizar o bem, mas até para compreender qual é o bem verdadeiro. E Deus vem em nossa ajuda. Não nos liberta – no momento presente – da nossa condição; pelo contrário, torna-se fraco connosco e em nós por meio do Espírito Santo. Assim, se prolonga no tempo, através dos crentes, o escândalo da cruz de Cristo: “Pois o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens” (1 Cor 1, 25). Esta “fraqueza” de Deus conduzirá a história dos homens até que Cristo seja tudo em todos.
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Ano Paulino – 4ª Semana
Para reflexão: Pela graça de Deus sou o que sou (1 Cor 15, 1-11).
Para rezar: Salmo 138, ou a confiança em Deus que desde sempre nos conhece.
sábado, julho 05, 2008
Ano Paulino
Neste ano dedicado a S. Paulo, a Conferência EpiscopalPortuguesa publicou um livro - Um ano a caminhar com São Paulo - onde ao longo de 52 temas, tantos quantas as semanas do ano - podemos meditar e caminhar com o Apóstolo que é modelo de conversão, evangelização e aprofundamento da fé. Para as duas primeiras semanas fala-se na origem de Paulo (Act 22, 3-21) e a sua pertença ao povo judeu pela circuncisão (Fl 3, 2-11). procuremos ler e meditar estes dois textos para caminharmoscom São Paulo na nossa vida cristã.
N.B. Pode adquirir o livro na livraria Veritas ou Cúria Diocesana.
Procura tempo para ler.
Procura tempo para rezar.
Procura tempo para meditar.
Procura tempo para dialogar.
Procura tempo para observar os outros.
Procura tempo para contemplar a natureza.
Procura tempo para trabalhar em favor dos outros.
Procura tempopara viajar.
Procura tempo para avaliar a tua vida.
Procura tempo para amar.
XIV Domingo comum - Ser livres
Viver na liberdade dos filhos de Deus (comentário à segunda leitura)
Quem através do Baptismo se une à morte e ressurreição de Cristo (Rm 6,3ss) é um homem livre. A fragilidade da nossa natureza («carne» na linguagem Paulina) orienta-nos para o pecado. S. Paulo exprime esta realidade com as palavras «viver/caminhar» «segundo a carne». Contudo, não se trata de uma fatalidade, pois há um novo princípio que orienta a vida daquele que pertence a Cristo: o próprio Espírito de Jesus é a garantia da ressurreição dos crentes (vv 9.11).
Onde existe o Espírito de Deus existe a liberdade (2Cor 3, 17). A nova condição do cristão, que Paulo anuncia com orgulho (Rm 8, 14), tanto é um dom de Deus como uma exigência para cada um de nós.
A verdadeira liberdade exige saber escolher em cada momento e em cada dia o que é segundo o Espírito de Deus e concretiza-se na renúncia a si mesmo, condição imprescindível para seguir Jesus (Lc 9, 23-25). O Espírito concede a luz e a força necessárias para que cada um veja e dê os passos correspondentes no caminho da liberdade, um caminho que através da mortificação conduz à vida eterna.
Onde existe o Espírito de Deus existe a liberdade (2Cor 3, 17). A nova condição do cristão, que Paulo anuncia com orgulho (Rm 8, 14), tanto é um dom de Deus como uma exigência para cada um de nós.
A verdadeira liberdade exige saber escolher em cada momento e em cada dia o que é segundo o Espírito de Deus e concretiza-se na renúncia a si mesmo, condição imprescindível para seguir Jesus (Lc 9, 23-25). O Espírito concede a luz e a força necessárias para que cada um veja e dê os passos correspondentes no caminho da liberdade, um caminho que através da mortificação conduz à vida eterna.
sábado, junho 28, 2008
Início do Ano Paulino
Abertos ao mundo e à evangelização - Paulo de Tarso
Um homem íntegro
no qual não existe um “sim” e um “não”
mas uma vontade forte e decidida.
Sozinho é capaz de construir
uma família universal.
No início do Ano Paulino desejamos fazer umapequena introdução à figura de S. Paulo e o seu lugar na obra da Evangelização a que toda a Igreja está chamada. S. Paulo ocupa a maior parte do livro dos Actos dos Apóstolos. No cap. 9 narra-se o seu encontro com Cristo e no cap. 13 começa a sua primeira viagem apostólica e torna-se no protagonista dos Actos até ao final.
Paulo não conheceu a Jesus de Nazaré antes da sua morte e ressurreição. Mas Cristo ressuscitado escolheu-o, revelou-lhe o Evangelho e enviou-o a anunciar aos pagãos. Por isso ele é verdadeiro apóstolo, incorporado ao grupo dos doze.
Não escreve, como fazem os evangelistas, um relato continuado dos actos e palavras de Jesus. Elabora sistematicamente a doutrina cristã expondo-a principalmente por meio de cartas às diferentes comunidades ou a alguns dos seus discípulos. É o grande teólogo da Igreja nascente.
1. A conversão (Act 9, 1-19)
Paulo, também chamado Saulo, nasceu em Tarso, no seio do povo judeu, apesar de ter o título de “cidadão romano”. Educado em Jerusalém na escola de Gamaliel, era um fariseu convicto e, por isso mesmo, perseguidor das primeiras comunidades cristãs.
Nas suas perseguições contra os cristãos previu tudo menos o imprevisível: chocou com a montanha de Javé, como o Titanic contra o iceberg.
A sua conversão narra-se três vezes no livro dos Actos. A primeira no cap. 9 e nos cap. 22 e 26 o próprio Paulo narra a sua experiência. Enquanto caminha tem uma visão e existe um diálogo. Os companheiros vêem a luz e escutam uma voz, mas não vêem ninguém nem entendem a mensagem. É Paulo o destinatário deste facto e que ele o considera ao nível das manifestações do Ressuscitado quando aparece aos doze (1 Cor 15, 5-9). Deslumbrado pela luz ficou cego, mas ao receber o baptismo, depois do diálogo com Ananias, começa a ver e é recebido pela comunidade.
Esta manifestação teve muita importância na vida futura de Paulo como também a deve ter na nossa vida: a importância insubstituível da Ressurreição de Cristo como fundamento da fé, a Igreja como Corpo de Cristo na sua plena identificação, a doutrina da justificação pela fé.
2. As viagens apostólicas
A partir do cap. 13 narram-se as três grandes viagens apostólicas: (primeira: 13 e 14; Segunda: 15, 36 a 18, 22; terceira: 18, 23 a 21, 16). Teremos de acrescentar o cativeiro em Cesareia e em Roma (21, 17 até ao fim).
Nestas viagens Paulo, acompanhado por algum dos seus discípulos, percorre muitos lugares da Ásia Menor (actual Turquia) e da Grécia. Normalmente começa por evangelizar os judeus, visitando a sinagoga nos sábados e dirige a palavra tendo como centro da sua mensagem a Cristo morto e ressuscitado. Quando os judeus se negam a escutar a sua mensagem, dirige-se aos pagãos nos quais encontra receptividade à fé. São muitos os sofrimentos que experimenta, especialmente por parte das comunidades judaicas.
3. Cartas de Paulo
A actividade apostólica de Paulo exerceu-a de viva voz e por cartas onde comunicava com os seus fiéis, deixando para o posteridade valiosas cartas que nos permitem falar dele como escritor. São cartas que respondem a situações concretas desta ou daquela comunidade (Tessalónica, Corinto...) ou de pessoas concretas (Timóteo, Tito). Mas pelos temas tratados e pelo carisma da inspiração têm um valor universal. O próprio Paulo manda, às vezes, que se leiam noutras comunidades (Col 4, 16). Assim o entendeu o povo cristão que as reuniu cuidadosamente e, juntamente com os Evangelhos, fazem parte dos escritos canónicos.
O plano geral destas cartas é bastante uniforme:
- Começam por uma saudação. Costuma unir a saudação grega “graça” e a hebraica “paz”. Segue-se uma introdução mais ou menos longa em forma de acção de graças.
- Exposição doutrinal do tema que se quer tratar. Aqui não pode haver um módulo concreto, mas depende muito dos temas a tratar.
- Exortação à prática da doutrina e vida cristã.
- Saudações a pessoas particulares e benção final.
A ordem cronológica pela qual devem ser colocadas as cartas de Paulo nem sempre é fácil de determinar. Exceptuando a Carta aos Hebreus que não é de Paulo, a ordem provável parece ser a seguinte:
a) Primeiros escritos
I e II Tessalonicenses, escritas com poucos meses de intervalo durante a segunda viagem apostólica, provavelmente depois da chegada de Paulo a Corinto, pelo ano 51. O tema destas cartas é o escatológico.
b) Grandes cartas
I e II Coríntios, Gálatas e Romanos. Escritas durante a terceira viagem apostólica, entre os anos 56/58. São as quatro cartas mais extensas de Paulo.
c) Cartas do cativeiro
Colossenses, Efésios, Filémon e Filipenses. Escritas provavelmente desde Roma durante o sua prisão, pelo ano 62.
d) Cartas pastorais
I Timóteo, Tito e II Timóteo. Escritas durante os anos 65/67, provavelmente por esta ordem. As três cartas são muito parecidas entre si quer no conteúdo quer na forma e contêm principalmente avisos acerca do ministério pastoral. Daí o nome de cartas pastorais.
Um homem íntegro
no qual não existe um “sim” e um “não”
mas uma vontade forte e decidida.
Sozinho é capaz de construir
uma família universal.
No início do Ano Paulino desejamos fazer umapequena introdução à figura de S. Paulo e o seu lugar na obra da Evangelização a que toda a Igreja está chamada. S. Paulo ocupa a maior parte do livro dos Actos dos Apóstolos. No cap. 9 narra-se o seu encontro com Cristo e no cap. 13 começa a sua primeira viagem apostólica e torna-se no protagonista dos Actos até ao final.
Paulo não conheceu a Jesus de Nazaré antes da sua morte e ressurreição. Mas Cristo ressuscitado escolheu-o, revelou-lhe o Evangelho e enviou-o a anunciar aos pagãos. Por isso ele é verdadeiro apóstolo, incorporado ao grupo dos doze.
Não escreve, como fazem os evangelistas, um relato continuado dos actos e palavras de Jesus. Elabora sistematicamente a doutrina cristã expondo-a principalmente por meio de cartas às diferentes comunidades ou a alguns dos seus discípulos. É o grande teólogo da Igreja nascente.
1. A conversão (Act 9, 1-19)
Paulo, também chamado Saulo, nasceu em Tarso, no seio do povo judeu, apesar de ter o título de “cidadão romano”. Educado em Jerusalém na escola de Gamaliel, era um fariseu convicto e, por isso mesmo, perseguidor das primeiras comunidades cristãs.
Nas suas perseguições contra os cristãos previu tudo menos o imprevisível: chocou com a montanha de Javé, como o Titanic contra o iceberg.
A sua conversão narra-se três vezes no livro dos Actos. A primeira no cap. 9 e nos cap. 22 e 26 o próprio Paulo narra a sua experiência. Enquanto caminha tem uma visão e existe um diálogo. Os companheiros vêem a luz e escutam uma voz, mas não vêem ninguém nem entendem a mensagem. É Paulo o destinatário deste facto e que ele o considera ao nível das manifestações do Ressuscitado quando aparece aos doze (1 Cor 15, 5-9). Deslumbrado pela luz ficou cego, mas ao receber o baptismo, depois do diálogo com Ananias, começa a ver e é recebido pela comunidade.
Esta manifestação teve muita importância na vida futura de Paulo como também a deve ter na nossa vida: a importância insubstituível da Ressurreição de Cristo como fundamento da fé, a Igreja como Corpo de Cristo na sua plena identificação, a doutrina da justificação pela fé.
2. As viagens apostólicas
A partir do cap. 13 narram-se as três grandes viagens apostólicas: (primeira: 13 e 14; Segunda: 15, 36 a 18, 22; terceira: 18, 23 a 21, 16). Teremos de acrescentar o cativeiro em Cesareia e em Roma (21, 17 até ao fim).
Nestas viagens Paulo, acompanhado por algum dos seus discípulos, percorre muitos lugares da Ásia Menor (actual Turquia) e da Grécia. Normalmente começa por evangelizar os judeus, visitando a sinagoga nos sábados e dirige a palavra tendo como centro da sua mensagem a Cristo morto e ressuscitado. Quando os judeus se negam a escutar a sua mensagem, dirige-se aos pagãos nos quais encontra receptividade à fé. São muitos os sofrimentos que experimenta, especialmente por parte das comunidades judaicas.
3. Cartas de Paulo
A actividade apostólica de Paulo exerceu-a de viva voz e por cartas onde comunicava com os seus fiéis, deixando para o posteridade valiosas cartas que nos permitem falar dele como escritor. São cartas que respondem a situações concretas desta ou daquela comunidade (Tessalónica, Corinto...) ou de pessoas concretas (Timóteo, Tito). Mas pelos temas tratados e pelo carisma da inspiração têm um valor universal. O próprio Paulo manda, às vezes, que se leiam noutras comunidades (Col 4, 16). Assim o entendeu o povo cristão que as reuniu cuidadosamente e, juntamente com os Evangelhos, fazem parte dos escritos canónicos.
O plano geral destas cartas é bastante uniforme:
- Começam por uma saudação. Costuma unir a saudação grega “graça” e a hebraica “paz”. Segue-se uma introdução mais ou menos longa em forma de acção de graças.
- Exposição doutrinal do tema que se quer tratar. Aqui não pode haver um módulo concreto, mas depende muito dos temas a tratar.
- Exortação à prática da doutrina e vida cristã.
- Saudações a pessoas particulares e benção final.
A ordem cronológica pela qual devem ser colocadas as cartas de Paulo nem sempre é fácil de determinar. Exceptuando a Carta aos Hebreus que não é de Paulo, a ordem provável parece ser a seguinte:
a) Primeiros escritos
I e II Tessalonicenses, escritas com poucos meses de intervalo durante a segunda viagem apostólica, provavelmente depois da chegada de Paulo a Corinto, pelo ano 51. O tema destas cartas é o escatológico.
b) Grandes cartas
I e II Coríntios, Gálatas e Romanos. Escritas durante a terceira viagem apostólica, entre os anos 56/58. São as quatro cartas mais extensas de Paulo.
c) Cartas do cativeiro
Colossenses, Efésios, Filémon e Filipenses. Escritas provavelmente desde Roma durante o sua prisão, pelo ano 62.
d) Cartas pastorais
I Timóteo, Tito e II Timóteo. Escritas durante os anos 65/67, provavelmente por esta ordem. As três cartas são muito parecidas entre si quer no conteúdo quer na forma e contêm principalmente avisos acerca do ministério pastoral. Daí o nome de cartas pastorais.
Notícias:
Dia 29, às 16 h, na nossa Catedral vão ordenados dois novos sacerdotes - o Gilberto e o Helder - e um diácono - o Valter - a quem desejamos as maiores bênçãos de Deus e de Nossa Senhora. Contai com a nossa amizade e oração. Estes votos são extensivos aos que vão receber os ministérios.
Dia 29 - 30 temos o Lausperene em São Vicente. O Santíssimo ficará esposto das 21 H de Domingo até às 21 H de Segunda. Não deixe depassar pela nossa Igreja Paroquial e faça umtempo longo de adoração a Jesus na Eucaristia.
domingo, junho 22, 2008
12º DOMINGO DO TEMPO COMUM
As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projecto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo… Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens.
No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.
Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projectos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de auto-suficiência gera morte.
domingo, junho 15, 2008
XI Domingo Comum - A messe é grande...
Como cenário de fundo desta catequese sobre o envio dos discípulos está o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Não esqueçamos isto: Deus nunca Se ausentou da história dos homens; Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.
•Como é que Deus age hoje no mundo? A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
• Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”. Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?
• Qual é a missão dos discípulos de Jesus? É lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas económicos geradores de bem-estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?
• As obras que eu realizo são verdadeiramente um anúncio do mundo novo que está para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?
• O nosso serviço ao “Reino” é um serviço totalmente gratuito, ou é um serviço que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal?
sábado, junho 07, 2008
10º Domingo do Tempo Comum
A Palavra de Deus deste 10º Domingo do Tempo Comum repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação. É esse o tema da liturgia deste dia.
Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir, com um coração sincero e verdadeiro, à aliança. Os actos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor (quer o amor a Deus, quer o amor ao próximo – que é a outra face do amor a Deus).
Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos (quer aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, quer aos que vêm do paganismo) a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos seus projectos.
O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem excepção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”.
sexta-feira, maio 30, 2008
9.º Domingo - Tempo comum
A liturgia do 9º Domingo Comum é um convite a construir a vida sobre o alicerce firme da Palavra de Deus. Quando a Palavra de Deus está no centro da vida e dá forma aos pensamentos, sentimentos e acções, o homem caminha, com segurança, ao encontro da realização plena, da vida definitiva.
No Evangelho Mateus convida a sua comunidade – e as comunidades cristãs de todos os tempos e lugares – a enraizar a sua vida na Palavra de Jesus e a traduzir essa adesão em acções concretas. Para ser cristão, não chega dizer palavras bonitas de adesão ao Senhor; mas é preciso esforçar-se por cumprir, em cada instante, a vontade de Deus e viver de acordo com os valores propostos por Jesus nas bem-aventuranças.
A primeira leitura, na mesma linha, convida os crentes a deixarem que a Palavra de Deus envolva e penetre toda a sua vida, marque os seus pensamentos, sentimentos e acções. Garante-nos que construir a vida à volta da Palavra de Deus é assegurar a felicidade e a vida definitiva.
A segunda leitura não se refere tão directamente ao tema do domingo (a Palavra de Deus); mas garante-nos que a salvação resulta do dom gratuito de Deus, tornado presente em Cristo, a Palavra viva de Deus, que veio ao encontro dos homens para os subtrair ao caminho da escravidão, do pecado e da morte.
sábado, maio 24, 2008
8º Domingo do Tempo Comum
A liturgia deste 8º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre as nossas prioridades. Recomenda que dirijamos o nosso olhar para o que é verdadeiramente importante e que libertemos o nosso coração da tirania dos bens materiais. De resto, o cristão não vive obcecado com os bens mais primários, pois tem absoluta confiança nesse Deus que cuida dos seus filhos com a solicitude de um pai e o amor gratuito e incondicional de uma mãe.
O Evangelho convida-nos a buscar o essencial (o “Reino”) por entre a enorme bateria de coisas secundárias que, dia a dia, ocupam o nosso interesse. Garante-nos, igualmente, que escolher o essencial não é negligenciar o resto: o nosso Deus é um pai cheio de solicitude pelos seus filhos, que provê com amor às suas necessidades.
A primeira leitura sublinha a solicitude e o amor de Deus, desta vez recorrendo à imagem da maternidade: a mãe ama o filho, com um amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito, incondicional; e o amor de Deus mantém as características do amor da mãe pelo filho, mas em grau infinito. Por isso, temos a certeza de que Ele nunca abandonará os homens e manterá para sempre a aliança que fez com o seu Povo.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a fixarem o seu olhar no essencial (a proposta de salvação/libertação que, em Jesus, Deus fez aos homens) e não no acessório (os veículos da mensagem).
O Evangelho convida-nos a buscar o essencial (o “Reino”) por entre a enorme bateria de coisas secundárias que, dia a dia, ocupam o nosso interesse. Garante-nos, igualmente, que escolher o essencial não é negligenciar o resto: o nosso Deus é um pai cheio de solicitude pelos seus filhos, que provê com amor às suas necessidades.
A primeira leitura sublinha a solicitude e o amor de Deus, desta vez recorrendo à imagem da maternidade: a mãe ama o filho, com um amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito, incondicional; e o amor de Deus mantém as características do amor da mãe pelo filho, mas em grau infinito. Por isso, temos a certeza de que Ele nunca abandonará os homens e manterá para sempre a aliança que fez com o seu Povo.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a fixarem o seu olhar no essencial (a proposta de salvação/libertação que, em Jesus, Deus fez aos homens) e não no acessório (os veículos da mensagem).
sexta-feira, maio 09, 2008
Domingo de Pentecostes - 11 de Maio
O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.
Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
sexta-feira, abril 25, 2008
6 Domingo de Páscoa
Continuamos no mesmo contexto em que nos colocava o Evangelho do passado domingo. A decisão de matar Jesus já está tomada pelas autoridades judaicas e Jesus sabe-o. A morte na cruz é mais do que uma probabilidade: é o cenário imediato.
Nessa noite de quinta-feira do ano trinta, na véspera da sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus discípulos numa “ceia”. No decurso da “ceia”, Jesus despediu-Se dos discípulos e fez-lhes as últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a “testamento final”: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo. Jesus fala-lhes, então, do caminho que percorreu (e que ainda tem de percorrer, até à consumação da sua missão e até chegar ao Pai); e convida os discípulos a seguir o mesmo caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irmãos. É seguindo esse “caminho” que eles se tornarão Homens Novos e que chegarão a ser “família de Deus” (cf. Jo 14,1-12).
Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão d’Ele a força para doar, dia a dia, a própria vida?
É preciso, no entanto, que os discípulos continuem a seguir Jesus, a manifestar a sua adesão a Ele, a amá-l’O (o amor será o culminar dessa caminhada de adesão e de seguimento). A consequência desse amor é o cumprir os mandamentos que Jesus deixou. Nesse caso, os mandamentos deixam de ser normas externas que é preciso cumprir, para se tornarem a expressão clara do amor dos discípulos e da sua sintonia com Jesus (vers. 15).
Como é que Jesus vai estar presente ao lado dos discípulos, dando-lhes a coragem para percorrer “o caminho” do amor e do dom da vida?
Jesus fala no envio do “Paráclito”, que estará sempre com os discípulos (vers. 16). A palavra grega “paráklêtos”, utilizada por João, pertence ao vocabulário jurídico e designa, nesse contexto, aquele que ajuda ou defende o acusado. Pode, portanto, traduzir-se como “advogado”, “auxiliar”, “defensor”. A partir daqui, pode deduzir-se, também, quer o sentido de “consolador”, quer o sentido de “intercessor”. No Novo Testamento, a palavra só aparece em João, onde é usada quer para designar o Espírito (cf. Jo 14,26; 15,26; 16,7), quer o próprio Jesus (que no céu, cumpre uma missão de intercessão - cf. 1 Jo 2,1).O “Paráclito” que Jesus vai enviar é o Espírito Santo – apresentado aqui como o “Espírito da Verdade” (vers. 17). Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus. O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo. Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva.
Depois de garantir aos discípulos o envio do “Paráclito”, Jesus reafirma aos discípulos que não os deixará “órfãos” no mundo. A palavra utilizada (“órfãos”) é muito significativa: no Antigo Testamento, o “órfão” é o protótipo do desvalido, do desamparado, do que está totalmente à mercê dos poderosos e que é a vítima de todas as injustiças. Jesus é claro: os seus discípulos não vão ficar indefesos, pois Ele vai estar ao lado deles.
É verdade que Ele vai deixar o mundo, vai para o Pai. O “mundo” deixará de vê-l’O, pois Ele não estará fisicamente presente. No entanto, os discípulos poderão “vê-l’O” (“contemplá-l’O”): eles continuarão em comunhão de vida com Jesus e receberão o Espírito que lhes transmitirá, dia a dia, a vida de Jesus ressuscitado (vers. 18-19).Nesse dia (o dia em que Jesus for para o Pai e os discípulos receberem o Espírito), a comunidade descobrirá – por acção do Espírito – que faz parte da família de Deus (vers. 20-21). Jesus identifica-Se com o Pai, por ter o mesmo Espírito; os discípulos identificam-se com Jesus, por acção do Espírito. A comunidade cristã está unida com o Pai, através de Jesus, numa experiência de unidade e de comunhão de vida entre Deus e o homem. Nesse dia, a comunidade será a presença de Deus no mundo: ela e cada membro dela convertem-se em morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a acção salvadora de Deus no mundo.
Nessa noite de quinta-feira do ano trinta, na véspera da sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus discípulos numa “ceia”. No decurso da “ceia”, Jesus despediu-Se dos discípulos e fez-lhes as últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a “testamento final”: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo. Jesus fala-lhes, então, do caminho que percorreu (e que ainda tem de percorrer, até à consumação da sua missão e até chegar ao Pai); e convida os discípulos a seguir o mesmo caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irmãos. É seguindo esse “caminho” que eles se tornarão Homens Novos e que chegarão a ser “família de Deus” (cf. Jo 14,1-12).
Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão d’Ele a força para doar, dia a dia, a própria vida?
É preciso, no entanto, que os discípulos continuem a seguir Jesus, a manifestar a sua adesão a Ele, a amá-l’O (o amor será o culminar dessa caminhada de adesão e de seguimento). A consequência desse amor é o cumprir os mandamentos que Jesus deixou. Nesse caso, os mandamentos deixam de ser normas externas que é preciso cumprir, para se tornarem a expressão clara do amor dos discípulos e da sua sintonia com Jesus (vers. 15).
Como é que Jesus vai estar presente ao lado dos discípulos, dando-lhes a coragem para percorrer “o caminho” do amor e do dom da vida?
Jesus fala no envio do “Paráclito”, que estará sempre com os discípulos (vers. 16). A palavra grega “paráklêtos”, utilizada por João, pertence ao vocabulário jurídico e designa, nesse contexto, aquele que ajuda ou defende o acusado. Pode, portanto, traduzir-se como “advogado”, “auxiliar”, “defensor”. A partir daqui, pode deduzir-se, também, quer o sentido de “consolador”, quer o sentido de “intercessor”. No Novo Testamento, a palavra só aparece em João, onde é usada quer para designar o Espírito (cf. Jo 14,26; 15,26; 16,7), quer o próprio Jesus (que no céu, cumpre uma missão de intercessão - cf. 1 Jo 2,1).O “Paráclito” que Jesus vai enviar é o Espírito Santo – apresentado aqui como o “Espírito da Verdade” (vers. 17). Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus. O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo. Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva.
Depois de garantir aos discípulos o envio do “Paráclito”, Jesus reafirma aos discípulos que não os deixará “órfãos” no mundo. A palavra utilizada (“órfãos”) é muito significativa: no Antigo Testamento, o “órfão” é o protótipo do desvalido, do desamparado, do que está totalmente à mercê dos poderosos e que é a vítima de todas as injustiças. Jesus é claro: os seus discípulos não vão ficar indefesos, pois Ele vai estar ao lado deles.
É verdade que Ele vai deixar o mundo, vai para o Pai. O “mundo” deixará de vê-l’O, pois Ele não estará fisicamente presente. No entanto, os discípulos poderão “vê-l’O” (“contemplá-l’O”): eles continuarão em comunhão de vida com Jesus e receberão o Espírito que lhes transmitirá, dia a dia, a vida de Jesus ressuscitado (vers. 18-19).Nesse dia (o dia em que Jesus for para o Pai e os discípulos receberem o Espírito), a comunidade descobrirá – por acção do Espírito – que faz parte da família de Deus (vers. 20-21). Jesus identifica-Se com o Pai, por ter o mesmo Espírito; os discípulos identificam-se com Jesus, por acção do Espírito. A comunidade cristã está unida com o Pai, através de Jesus, numa experiência de unidade e de comunhão de vida entre Deus e o homem. Nesse dia, a comunidade será a presença de Deus no mundo: ela e cada membro dela convertem-se em morada de Deus, o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens. Na comunidade dos discípulos e através dela, realiza-se a acção salvadora de Deus no mundo.
sexta-feira, abril 18, 2008
5.º Domingo da Páscoa
A liturgia deste domingo convida-nos a reflectir sobre a Igreja – a comunidade que nasce de Jesus e cujos membros continuam o “caminho” de Jesus, dando testemunho do projecto de Deus no mundo, na entrega a Deus e no amor aos homens.O Evangelho define a Igreja: é a comunidade dos discípulos que seguem o “caminho” de Jesus – “caminho” de obediência ao Pai e de dom da vida aos irmãos. Os que acolhem esta proposta e aceitam viver nesta dinâmica tornam-se Homens Novos, que possuem a vida em plenitude e que integram a família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito.A primeira leitura apresenta-nos alguns traços que caracterizam a “família de Deus” (Igreja): é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo com os irmãos; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.A segunda leitura também se refere à Igreja: chama-lhe “templo espiritual”, do qual Cristo é a “pedra angular” e os cristãos “pedras vivas”. Essa Igreja é formada por um “povo sacerdotal”, cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.
sábado, abril 12, 2008
4 Domingo de Páscoa - Domingo do Bom Pastor
No encerramento da semana deoração pelas vocações de consagração, o texto do Evangelho, que hoje nos é proposto, está dividido em duas partes, ou em duas parábolas.
Na primeira parábola (cf. Jo 10,1-6), Jesus apresenta-se preferencialmente como “o Pastor”, cuja acção se contrapõe a esses dirigentes judeus que se arrogam o direito de pastorear o “rebanho” do Povo de Deus, mas sem serem “pastores”.
Jesus não usa meias palavras: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos (cf. Jo 10,1), que se servem das suas prerrogativas para explorar o Povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos). Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima, porque Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): foram eles que a usurparam. O seu objectivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse.
Ao contrário, Jesus é “o Pastor” que entra pela porta: ele tem um mandato de Deus e a sua missão foi-Lhe confiada pelo Pai. Em Ezequiel, o papel do “pastor” correspondia, em primeiro lugar, a Deus (cf. Ez 34,11-12.15) e ao futuro enviado de Deus, o “Messias” descendente de David (cf. Ez 34,23). Ao apresentar-se como Aquele “que entra pela porta”, com autoridade legítima, Jesus declara-Se, implicitamente, o “Messias” enviado por Deus para conduzir o seu Povo e para o guiar para as pastagens onde há vida em plenitude. Ele entra no redil das “ovelhas” para cuidar delas, não para as explorar. A sua missão é libertá-las das trevas em que os dirigentes as trazem e conduzi-las ao encontro da luz libertadora (cf. Jo 10,2).
Como é que Jesus exercerá a sua missão de “pastor”? Em primeiro lugar, irá chamar as “ovelhas”. “Chama-as pelo seu nome”, porque conhece cada uma e com cada uma quer ter uma relação pessoal de amor, de proximidade, de comunhão: para Jesus, não há “massas”, mas pessoas concretas, com a sua identidade própria, com a sua riqueza, com a sua dignidade.
Não obrigará ninguém a responder-Lhe; mas os que responderem ao seu chamamento farão parte do seu “rebanho”. A esses, Jesus conduzi-los-á “para fora” (vers. 3): Jesus não veio instalar-Se na antiga instituição judaica, geradora de opressão e de escravidão; mas veio criar uma comunidade humana nova – a comunidade do novo Povo de Deus.
Depois, o “pastor” caminhará “diante das ovelhas” e estas segui-l’O-ão (vers. 4). Ele indica-lhes o caminho, pois Ele próprio é “o caminho” (cf. Jo 14,6) que leva à vida plena. As “ovelhas” seguem-n’O: “seguir” traduz a atitude do discípulo, convidado a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida, a fazer d’Ele a sua referência fundamental, a aderir a Ele de todo o coração. As “ovelhas” “escutam a sua voz”, porque sabem que só a voz de Jesus as conduz, com segurança, ao encontro da vida definitiva.
Na segunda parábola (cf. Jo 10,7-9), Jesus apresenta-Se como “a porta”. Aqui, Ele já não é o pastor legítimo que passa pela porta, mas “a porta”. O que é que Ele quer traduzir com esta imagem?
A imagem pode aplicar-se aos líderes que pretendem ter acesso ao “rebanho”, ou pode aplicar-se às próprias “ovelhas”. No que diz respeito aos líderes, significa que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver um mandato de Jesus, se não tiver sido convidado por Jesus; e significa também que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver os mesmos sentimentos, a mesma atitude de Jesus (que não é a de explorar as “ovelhas”, mas a de dar-lhes vida).
No que diz respeito às “ovelhas”, significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as “ovelhas” possam encontrar as pastagens que dão vida. “Passar pela porta” que é Jesus significa aderir a Ele, segui-l’O, acolher as suas propostas. As “ovelhas” que passam pela porta que é Jesus (isto é, que aderem a Ele) podem passar para a terra da liberdade (onde não mandam os dirigentes que exploram e roubam), onde encontrarão “pastos” (vida em plenitude).
O nosso texto termina com a reafirmação do contraste entre Jesus e os dirigentes: os líderes religiosos judaicos utilizam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios interesses egoístas, despojam e exploram o povo; mas Jesus só procura que o seu “rebanho” encontre vida em plenitude.
Na primeira parábola (cf. Jo 10,1-6), Jesus apresenta-se preferencialmente como “o Pastor”, cuja acção se contrapõe a esses dirigentes judeus que se arrogam o direito de pastorear o “rebanho” do Povo de Deus, mas sem serem “pastores”.
Jesus não usa meias palavras: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos (cf. Jo 10,1), que se servem das suas prerrogativas para explorar o Povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos). Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima, porque Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): foram eles que a usurparam. O seu objectivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse.
Ao contrário, Jesus é “o Pastor” que entra pela porta: ele tem um mandato de Deus e a sua missão foi-Lhe confiada pelo Pai. Em Ezequiel, o papel do “pastor” correspondia, em primeiro lugar, a Deus (cf. Ez 34,11-12.15) e ao futuro enviado de Deus, o “Messias” descendente de David (cf. Ez 34,23). Ao apresentar-se como Aquele “que entra pela porta”, com autoridade legítima, Jesus declara-Se, implicitamente, o “Messias” enviado por Deus para conduzir o seu Povo e para o guiar para as pastagens onde há vida em plenitude. Ele entra no redil das “ovelhas” para cuidar delas, não para as explorar. A sua missão é libertá-las das trevas em que os dirigentes as trazem e conduzi-las ao encontro da luz libertadora (cf. Jo 10,2).
Como é que Jesus exercerá a sua missão de “pastor”? Em primeiro lugar, irá chamar as “ovelhas”. “Chama-as pelo seu nome”, porque conhece cada uma e com cada uma quer ter uma relação pessoal de amor, de proximidade, de comunhão: para Jesus, não há “massas”, mas pessoas concretas, com a sua identidade própria, com a sua riqueza, com a sua dignidade.
Não obrigará ninguém a responder-Lhe; mas os que responderem ao seu chamamento farão parte do seu “rebanho”. A esses, Jesus conduzi-los-á “para fora” (vers. 3): Jesus não veio instalar-Se na antiga instituição judaica, geradora de opressão e de escravidão; mas veio criar uma comunidade humana nova – a comunidade do novo Povo de Deus.
Depois, o “pastor” caminhará “diante das ovelhas” e estas segui-l’O-ão (vers. 4). Ele indica-lhes o caminho, pois Ele próprio é “o caminho” (cf. Jo 14,6) que leva à vida plena. As “ovelhas” seguem-n’O: “seguir” traduz a atitude do discípulo, convidado a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida, a fazer d’Ele a sua referência fundamental, a aderir a Ele de todo o coração. As “ovelhas” “escutam a sua voz”, porque sabem que só a voz de Jesus as conduz, com segurança, ao encontro da vida definitiva.
Na segunda parábola (cf. Jo 10,7-9), Jesus apresenta-Se como “a porta”. Aqui, Ele já não é o pastor legítimo que passa pela porta, mas “a porta”. O que é que Ele quer traduzir com esta imagem?
A imagem pode aplicar-se aos líderes que pretendem ter acesso ao “rebanho”, ou pode aplicar-se às próprias “ovelhas”. No que diz respeito aos líderes, significa que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver um mandato de Jesus, se não tiver sido convidado por Jesus; e significa também que ninguém pode ir ao encontro das “ovelhas” se não tiver os mesmos sentimentos, a mesma atitude de Jesus (que não é a de explorar as “ovelhas”, mas a de dar-lhes vida).
No que diz respeito às “ovelhas”, significa que Jesus é o único lugar de acesso para que as “ovelhas” possam encontrar as pastagens que dão vida. “Passar pela porta” que é Jesus significa aderir a Ele, segui-l’O, acolher as suas propostas. As “ovelhas” que passam pela porta que é Jesus (isto é, que aderem a Ele) podem passar para a terra da liberdade (onde não mandam os dirigentes que exploram e roubam), onde encontrarão “pastos” (vida em plenitude).
O nosso texto termina com a reafirmação do contraste entre Jesus e os dirigentes: os líderes religiosos judaicos utilizam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios interesses egoístas, despojam e exploram o povo; mas Jesus só procura que o seu “rebanho” encontre vida em plenitude.
sexta-feira, abril 04, 2008
3º Domingo da Páscoa - discípulos de Emaús
Comentário ao Evangelho dos discípulos de Emaús
Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.
Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é através da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar é que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?
Quando é que os olhos do nosso coração se abrem para descobrir Jesus, vivo e actuante? Lucas responde: é na partilha do Pão eucarístico. Sempre que nos sentamos à mesa com a comunidade e partilhamos o pão que Jesus nos oferece, damo-nos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade está no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida autêntica.
E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova e definitiva. Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.
Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é através da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar é que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?
Quando é que os olhos do nosso coração se abrem para descobrir Jesus, vivo e actuante? Lucas responde: é na partilha do Pão eucarístico. Sempre que nos sentamos à mesa com a comunidade e partilhamos o pão que Jesus nos oferece, damo-nos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade está no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida autêntica.• E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova e definitiva.
sábado, março 29, 2008
2.º Domingo da Páscoa
A liturgia deste domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.Na primeira leitura temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.Tema do 2º Domingo da PáscoaA liturgia deste domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.Na primeira leitura temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens – conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.
sábado, março 08, 2008
V Domingo da Quaresma - Ressurreição de Lázaro (Jo 11, 1-45)
Eu sou a vida do mundo
A questão principal do Evangelho deste domingo – e que é uma questão determinante para a nossa existência de crentes – é a afirmação de que não há morte para os “amigos” de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos. Os “amigos” de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontraram a vida plena, junto de Deus. A história de Lázaro pretende representar essa realidade.
No dia do nosso Baptismo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a eternidade. A nossa vida tem sido coerente com essa opção? A nossa existência tem sido uma existência egoísta e fechada, que termina na morte, ou tem sido uma existência de amor, de partilha, de dom da vida, que aponta para a realização plena do homem e para a vida eterna?
Ao longo da nossa existência nesta terra, convivemos com situações em que somos tocados pela morte física daqueles a quem amamos… É natural que fiquemos tristes pela sua partida e por eles deixarem de estar fisicamente presentes a nosso lado. A nossa fé convida-nos, no entanto, a ter a certeza de que os “amigos” não são aniquilados: apenas encontraram essa vida definitiva, longe da debilidade e da finitude humanas.
Diante da certeza que a fé nos dá, somos convidados a viver a vida sem medo. O medo da morte como aniquilamento total torna o homem cauteloso e impotente face à opressão e ao poder dos opressores; mas libertando-nos do medo da morte, Jesus torna-nos livres e capacita-nos para gastar a vida ao serviço dos irmãos, lutando generosamente contra tudo aquilo que oprime e que rouba ao homem a vida plena.
No dia do nosso Baptismo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a eternidade. A nossa vida tem sido coerente com essa opção? A nossa existência tem sido uma existência egoísta e fechada, que termina na morte, ou tem sido uma existência de amor, de partilha, de dom da vida, que aponta para a realização plena do homem e para a vida eterna?
Ao longo da nossa existência nesta terra, convivemos com situações em que somos tocados pela morte física daqueles a quem amamos… É natural que fiquemos tristes pela sua partida e por eles deixarem de estar fisicamente presentes a nosso lado. A nossa fé convida-nos, no entanto, a ter a certeza de que os “amigos” não são aniquilados: apenas encontraram essa vida definitiva, longe da debilidade e da finitude humanas.
Diante da certeza que a fé nos dá, somos convidados a viver a vida sem medo. O medo da morte como aniquilamento total torna o homem cauteloso e impotente face à opressão e ao poder dos opressores; mas libertando-nos do medo da morte, Jesus torna-nos livres e capacita-nos para gastar a vida ao serviço dos irmãos, lutando generosamente contra tudo aquilo que oprime e que rouba ao homem a vida plena.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
CEGOS À VERDADE - EU SOU A LUZ DOMUNDO (Jo 9, 1-41)
Não há pior surdo que aquele que não quer ouvir
nem pior cego do que aquele que fecha os olhos à luz.
Porque vivemos cegos,
multiplicam-se as nossas quedas
e vemos tudo negro.
No tema anterior vimos que Jesus se manifestava como luz e como vida, segundo o que já estava anunciado no Prólogo (1, 4). A seguir temos dois sinais: a cura de um cego de nascimento que fará que Jesus se apresente como luz dos homens e a ressurreição de Lázaro que o apresenta como a verdadeira vida.
A cura do cego é um sinal que nos mostra o triunfo da luz sobre as trevas. A água tinha um papel muito importante na comunicação da vida; também aqui a água aparece como meio para comunicar a luz. Não é a água das purificações, que ficou inválida em Caná; nem a água da piscina, que foi incapaz de curar o paralítico. A água que dá luz è a água de “Siloé”, isto é, o “Enviado”. Este sinal ocupa todo o Cap. X de S. João.
A narração do facto (Jo 9, 1-12)
Fora do Templo, sem dizer o lugar concreto, encontra-se um cego de nascimento. Os discípulos não se interessam pelo homem, mas sim pela possível culpa em ser cego (têm mentalidade judaica acerca do mal...). Jesus vê na cegueira daquele homem uma ocasião para manifestar as obras de Deus; estas obras acreditam-nO como “luz do mundo”.
Feita esta breve introdução, Jesus começa a actuar por sua própria iniciativa, sem que o cego o tenha pedido. Faz barro no chão, com saliva que é portadora de alento de vida e não barro com água. Ungiu-lhe os olhos, Ele que é o “Ungido”, o “Cristo” (4, 25) e manda-o lavar na piscina de Siloé, que significa o “Enviado”. Embora diga que foi à piscina e se lavou, não menciona a água. Tinha sido ungido com barro feito com saliva, mistura de água e espírito. A cura foi instantânea, dando lugar a discussões acerca da identidade do cego.
Não há pior surdo que aquele que não quer ouvir
nem pior cego do que aquele que fecha os olhos à luz.
Porque vivemos cegos,
multiplicam-se as nossas quedas
e vemos tudo negro.
No tema anterior vimos que Jesus se manifestava como luz e como vida, segundo o que já estava anunciado no Prólogo (1, 4). A seguir temos dois sinais: a cura de um cego de nascimento que fará que Jesus se apresente como luz dos homens e a ressurreição de Lázaro que o apresenta como a verdadeira vida.
A cura do cego é um sinal que nos mostra o triunfo da luz sobre as trevas. A água tinha um papel muito importante na comunicação da vida; também aqui a água aparece como meio para comunicar a luz. Não é a água das purificações, que ficou inválida em Caná; nem a água da piscina, que foi incapaz de curar o paralítico. A água que dá luz è a água de “Siloé”, isto é, o “Enviado”. Este sinal ocupa todo o Cap. X de S. João.
A narração do facto (Jo 9, 1-12)
Fora do Templo, sem dizer o lugar concreto, encontra-se um cego de nascimento. Os discípulos não se interessam pelo homem, mas sim pela possível culpa em ser cego (têm mentalidade judaica acerca do mal...). Jesus vê na cegueira daquele homem uma ocasião para manifestar as obras de Deus; estas obras acreditam-nO como “luz do mundo”.
Feita esta breve introdução, Jesus começa a actuar por sua própria iniciativa, sem que o cego o tenha pedido. Faz barro no chão, com saliva que é portadora de alento de vida e não barro com água. Ungiu-lhe os olhos, Ele que é o “Ungido”, o “Cristo” (4, 25) e manda-o lavar na piscina de Siloé, que significa o “Enviado”. Embora diga que foi à piscina e se lavou, não menciona a água. Tinha sido ungido com barro feito com saliva, mistura de água e espírito. A cura foi instantânea, dando lugar a discussões acerca da identidade do cego.
Investigação judicial (Jo 9, 13-34)
Os fariseus iniciam uma investigação porque a cura foi a um Sábado. Tratam de esclarecer os factos, mas a sua sentença já está dada: “Este homem não guarda o Sábado, não pode vir de Deus”. O homem que até agora tinha vivido na escuridão, torna-se cada vez mais lúcido à medida que vai respondendo às objecções:
- é um profeta (v. 17);
- se é pecador ou não, não o sabe; o único que sabe é que era cego e agora vê (v. 25);
- é estranho que não saibais de onde veio aquele que me abriu os olhos (v. 30);
- sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas sim aquele que é religioso e cumpre a sua vontade (v. 31);
- se este não viesse de Deus, não poderia fazer nada (v. 32).
Os dirigentes do povo procuram com todos os argumentos separar o cego de Jesus. Recorrem aos pais, que não se comprometem por medo dos judeus e o próprio cego ironiza: “também vós vos quereis fazer seus discípulos?”. Recorrem então à violência e expulsam-no da sinagoga.
A luz da fé (Jo 9, 35-39)
Expulso da sinagoga, sente-se livre para aceitar Jesus que vem ao seu encontro. Jesus pergunta-lhe: “Tu crês no Filho do Homem?” A luz recebida nos seus olhos leva-o a aceitar a luz da fé. Acredita e prostra-se diante de Jesus. Estabeleceu-se uma relação interpessoal que é fundamentalmente a fé. Os dirigentes do povo, apesar do seu sistema doutrinal, não abraçam a fé. A fé é sempre fruto de uma experiência pessoal do homem com Deus.
Os que pretendiam ser juízes são julgados. A acusação de Jesus é grave porque se apoia na recusa que os judeus fazem da luz, convertendo-se em cegos voluntários. A sentença é decisiva: “Se fosseis cegos não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece”(v.41). O cego de nascimento não tinha pecado; os dirigentes do povo são cegos por causa do seu pecado.
sábado, fevereiro 23, 2008
III Domingo da Quaresma - A Samaritana (Evangelho catecumenal)
Jesus revela-se como a água viva que vem matar a nossa sede de Deus e do sentido para a vida
Uma mulher do povo - a samaritana (Jo 4, 4-30)
A rivalidade entre samaritanos e judeus era já de tempos antigos e com os quais Jesus tinha de se encontrar ao passar da Judeia para a Galileia.
O caminho tinha sido longo, Jesus sente-se esgotado. É meio dia e senta-se junto do poço de Jacob. Chega uma samaritana e Jesus pede-lhe água. Aparecem os primeiros sinais de inimizade entre judeus e os samaritanos. Mas por iniciativa de Jesus começa um diálogo salvador.
A primeira parte do diálogo (vv. 7-15) tem a água como pano de fundo. Da água do poço, Jesus passa a falar da água viva. Em Caná a água das purificações (que equivale à água do poço de Jacob) é substituída pelo vinho do banquete do reino. No episódio de Nicodemos a água é associada ao Espírito como fonte de vida nova. Esta é a água que brota de Cristo e salta até à vida eterna. É a mesma que brotará do lado do Senhor.
Como Nicodemos, a mulher não entende a s palavras de Jesus; atreve-se a pedir-lhe água como um desafio, mas dá-se início a um caminho de fé. Jesus ultrapassa as diferenças entre judeus e samaritanos e trata de excitar a curiosidade da mulher falando-lhe de uma água que é verdadeiro Dom de Deus. O povo considerou como Dom de Deus a água que brotou da rocha no deserto (Num 20, 2-13); Paulo comenta que a rocha era Cristo (1 Cor 10, 4).
Na segunda parte do texto (vv. 16-26) o diálogo toma outra direcção:
- Jesus interessa-se pela família da mulher;
- Ela confessa a sua situação familiar;
- O interesse recai directamente no aspecto religioso;
- Jesus manifesta-se claramente como o Messias.
Isto é um exemplo de pedagogia na catequese: arrancando dos pontos de interesse pessoais e familiares, chega-se à plena revelação da verdade messiânica.
É a própria mulher que faz a pergunta do ponto de vista religioso. O ponto central de divergência entre judeus e samaritanos era o Templo como lugar de culto (Jerusalém ou Garizim). Jesus declara caduco o culto que se oferece no Templo e tem de ser substituído por um culto novo em Espírito e em verdade. A mudança é radical: Jesus, o novo Templo, oferece-se a si mesmo como sacrifício, o único válido e agradável aos olhos do Pai. A instituição fica abolida.
A mulher, que o tinha confessado como profeta, apela à chegada eminente do Messias que “tudo explicará” (= os samaritanos esperavam um Messias revelador, enquanto que os judeus esperavam um Messias libertador político). Jesus aceita o messianismo dos samaritanos e manifesta-se claramente, coisa que não fará aos judeus.
A samaritana deixa o cântaro porque aceitou já a nova água. A fé converte-a em testemunha e vai dar aos seus compatriotas a notícia. Os seus vizinhos também se encontrarão pessoalmente com Jesus.
Quando chegam os discípulos, o tema da água é substituído pelo da comida (31-38). Para Jesus o verdadeiro alimento é cumprir a vontade do Pai.
O campo já está preparado; a ceifa será abundante, como se mostra na conversão de muitos dos samaritanos.
Uma mulher do povo - a samaritana (Jo 4, 4-30)
A rivalidade entre samaritanos e judeus era já de tempos antigos e com os quais Jesus tinha de se encontrar ao passar da Judeia para a Galileia.
O caminho tinha sido longo, Jesus sente-se esgotado. É meio dia e senta-se junto do poço de Jacob. Chega uma samaritana e Jesus pede-lhe água. Aparecem os primeiros sinais de inimizade entre judeus e os samaritanos. Mas por iniciativa de Jesus começa um diálogo salvador.
A primeira parte do diálogo (vv. 7-15) tem a água como pano de fundo. Da água do poço, Jesus passa a falar da água viva. Em Caná a água das purificações (que equivale à água do poço de Jacob) é substituída pelo vinho do banquete do reino. No episódio de Nicodemos a água é associada ao Espírito como fonte de vida nova. Esta é a água que brota de Cristo e salta até à vida eterna. É a mesma que brotará do lado do Senhor.
Como Nicodemos, a mulher não entende a s palavras de Jesus; atreve-se a pedir-lhe água como um desafio, mas dá-se início a um caminho de fé. Jesus ultrapassa as diferenças entre judeus e samaritanos e trata de excitar a curiosidade da mulher falando-lhe de uma água que é verdadeiro Dom de Deus. O povo considerou como Dom de Deus a água que brotou da rocha no deserto (Num 20, 2-13); Paulo comenta que a rocha era Cristo (1 Cor 10, 4).
Na segunda parte do texto (vv. 16-26) o diálogo toma outra direcção:
- Jesus interessa-se pela família da mulher;
- Ela confessa a sua situação familiar;
- O interesse recai directamente no aspecto religioso;
- Jesus manifesta-se claramente como o Messias.
Isto é um exemplo de pedagogia na catequese: arrancando dos pontos de interesse pessoais e familiares, chega-se à plena revelação da verdade messiânica.
É a própria mulher que faz a pergunta do ponto de vista religioso. O ponto central de divergência entre judeus e samaritanos era o Templo como lugar de culto (Jerusalém ou Garizim). Jesus declara caduco o culto que se oferece no Templo e tem de ser substituído por um culto novo em Espírito e em verdade. A mudança é radical: Jesus, o novo Templo, oferece-se a si mesmo como sacrifício, o único válido e agradável aos olhos do Pai. A instituição fica abolida.
A mulher, que o tinha confessado como profeta, apela à chegada eminente do Messias que “tudo explicará” (= os samaritanos esperavam um Messias revelador, enquanto que os judeus esperavam um Messias libertador político). Jesus aceita o messianismo dos samaritanos e manifesta-se claramente, coisa que não fará aos judeus.
A samaritana deixa o cântaro porque aceitou já a nova água. A fé converte-a em testemunha e vai dar aos seus compatriotas a notícia. Os seus vizinhos também se encontrarão pessoalmente com Jesus.
Quando chegam os discípulos, o tema da água é substituído pelo da comida (31-38). Para Jesus o verdadeiro alimento é cumprir a vontade do Pai.
O campo já está preparado; a ceifa será abundante, como se mostra na conversão de muitos dos samaritanos.
domingo, fevereiro 17, 2008
II Domingo da Quaresma - Transfiguração
Os primeiros 11 capítulos do livro do Génesis resumem o mistério da humanidade que, pouco a pouco, quis empreender um caminho independente do seu Criador. O capítulo 12, do qual hoje meditamos os primeiros quatro versículos, apresenta Abraão como o «Pai dos crentes», a quem se pede que deixe a sua terra, os laços familiares aos quais está unido porque Deus vai começar algo novo num sítio menos frondoso (vivia na planície entre os dois rios da Mesopotâmia, na Caldeia), onde existia uma cultura antiga e próspera. Depois da aliança estabelecida com Noé, na qual Deus jurou fidelidade a toda a obra da criação (cf. Gn 9), a humanidade continua a praticar o mal.
Deus continua a procurar a comunhão com os homens: a seguir à dispersão de Babel vem a vocação de Abraão, chamado a quebrar com os laços sociais a que estava unido para seguir incondicionalmente os caminhos do Senhor. Ao mandato de Deus, «sai da tua terra…» segue-se a promessa de uma bênção superabundante: em dois versículos aparece cinco vezes, e tal repetição indica os três âmbitos da acção de Deus em favor de Abraão. O primeiro âmbito é a promessa de uma descendência numerosa e de um nome dado por Deus; O segundo âmbito amplia o horizonte a todos os que, em Abraão, se converterão em filhos da Promessa; No Terceiro, o horizonte universaliza-se: Todas as nações da terra entram na história de salvação iniciada em Abraão, o «Pai dos Crentes».
Na Carta aos Hebreus descreve-se, à luz do mistério de Cristo Salvador, o chamamento de Abraão: Partiu para uma terra estranha, sem saber para onde ia, mas Deus nunca falta à sua Promessa e embora peça a nossa resposta Ele nunca falta aos seus compromissos. Babel significa os interesses egoístas de todos os povos e nações, com as suas confusões e orgulhos… porque Deus, um Deus com coração, oferece a Abraão e nele a toda a humanidade, uma vida com sentido. Babilónia é o símbolo de uma humanidade de sangue e lágrimas derramados. Deus, o Deus criador, não quer isso para a humanidade… e Abraão vai iniciar o caminho da fé e da confiança absoluta em Deus. Começa, assim, uma nova maneira de entender a religião como experiência de confiança em Deus criador e salvador. Esta é a chave para interpretarmos a aliança do Deus de Israel com o seu povo: os deuses babilónicos submetiam os homens ,enquanto o Deus de Israel confiava e chamava homens concretos para colaborarem com Ele na salvação da humanidade.
Na segunda leitura S. Paulo recomenda ao seu discípulo Timóteo que leve a cabo a missão que recebeu da parte de Deus: anunciar o Evangelho. Aqui aparece que o anúncio tem de ser feito pelo testemunho, pela força de Deus, pelas obras… O objectivo final é destruir a morte e oferecer-nos a imortalidade por meio do Evangelho. Tudo isto é um bom exemplo do kerigma cristão, aquilo que se deve proclamar ao mundo.
O Evangelho é, como todos os segundos domingos da Quaresma, o da Transfiguração. S. Mateus segue de perto S. Marcos e a Transfiguração é o momento em que Jesus inicia a sua viagem definitiva para Jerusalém. “Seis dias depois” - isto está no contexto dos anúncios da paixão. A medida do tempo (que era a semana para um judeu) ainda não tinha terminado. Os discípulos estão em crise: aceitam Jesus como Messias, mas não o seu messianismo e também não aceitam o seu programa que era a de renunciar ao poder. Elias (simboliza os profetas), Moisés (simboliza a Lei), isto é, todo o Antigo Testamento. A nuvem e a voz que se ouve é sempre sinal da presença de Deus. - “Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O”: O Antigo Testamento passou e agora só temos de prestar atenção a Jesus.
- Pedro queria unir o novo com o velho, mas não sabia o que dizia. Fica com eles apenas Jesus e é esse que temos de escutar e seguir.
- “É bom estarmos aqui” - a paz e o sossego daqueles que experimentam a relação de intimidade com Jesus Cristo.
Os três discípulos – Pedro, Tiago e João – são convidados a descer do monte porque devem percorrer com Jesus o caminho para Jerusalém, isto é, devem anunciar a salvação a todos os homens, porque essa é a vocação de Jesus.
Este texto fala-nos da procura de Deus e da sua vontade na contemplação e na oração. O que contempla o mistério de Deus deve anunciá-lo na vida do dia a dia.
Deus continua a procurar a comunhão com os homens: a seguir à dispersão de Babel vem a vocação de Abraão, chamado a quebrar com os laços sociais a que estava unido para seguir incondicionalmente os caminhos do Senhor. Ao mandato de Deus, «sai da tua terra…» segue-se a promessa de uma bênção superabundante: em dois versículos aparece cinco vezes, e tal repetição indica os três âmbitos da acção de Deus em favor de Abraão. O primeiro âmbito é a promessa de uma descendência numerosa e de um nome dado por Deus; O segundo âmbito amplia o horizonte a todos os que, em Abraão, se converterão em filhos da Promessa; No Terceiro, o horizonte universaliza-se: Todas as nações da terra entram na história de salvação iniciada em Abraão, o «Pai dos Crentes».
Na Carta aos Hebreus descreve-se, à luz do mistério de Cristo Salvador, o chamamento de Abraão: Partiu para uma terra estranha, sem saber para onde ia, mas Deus nunca falta à sua Promessa e embora peça a nossa resposta Ele nunca falta aos seus compromissos. Babel significa os interesses egoístas de todos os povos e nações, com as suas confusões e orgulhos… porque Deus, um Deus com coração, oferece a Abraão e nele a toda a humanidade, uma vida com sentido. Babilónia é o símbolo de uma humanidade de sangue e lágrimas derramados. Deus, o Deus criador, não quer isso para a humanidade… e Abraão vai iniciar o caminho da fé e da confiança absoluta em Deus. Começa, assim, uma nova maneira de entender a religião como experiência de confiança em Deus criador e salvador. Esta é a chave para interpretarmos a aliança do Deus de Israel com o seu povo: os deuses babilónicos submetiam os homens ,enquanto o Deus de Israel confiava e chamava homens concretos para colaborarem com Ele na salvação da humanidade.
Na segunda leitura S. Paulo recomenda ao seu discípulo Timóteo que leve a cabo a missão que recebeu da parte de Deus: anunciar o Evangelho. Aqui aparece que o anúncio tem de ser feito pelo testemunho, pela força de Deus, pelas obras… O objectivo final é destruir a morte e oferecer-nos a imortalidade por meio do Evangelho. Tudo isto é um bom exemplo do kerigma cristão, aquilo que se deve proclamar ao mundo.
O Evangelho é, como todos os segundos domingos da Quaresma, o da Transfiguração. S. Mateus segue de perto S. Marcos e a Transfiguração é o momento em que Jesus inicia a sua viagem definitiva para Jerusalém. “Seis dias depois” - isto está no contexto dos anúncios da paixão. A medida do tempo (que era a semana para um judeu) ainda não tinha terminado. Os discípulos estão em crise: aceitam Jesus como Messias, mas não o seu messianismo e também não aceitam o seu programa que era a de renunciar ao poder. Elias (simboliza os profetas), Moisés (simboliza a Lei), isto é, todo o Antigo Testamento. A nuvem e a voz que se ouve é sempre sinal da presença de Deus. - “Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O”: O Antigo Testamento passou e agora só temos de prestar atenção a Jesus.
- Pedro queria unir o novo com o velho, mas não sabia o que dizia. Fica com eles apenas Jesus e é esse que temos de escutar e seguir.
- “É bom estarmos aqui” - a paz e o sossego daqueles que experimentam a relação de intimidade com Jesus Cristo.
Os três discípulos – Pedro, Tiago e João – são convidados a descer do monte porque devem percorrer com Jesus o caminho para Jerusalém, isto é, devem anunciar a salvação a todos os homens, porque essa é a vocação de Jesus.
Este texto fala-nos da procura de Deus e da sua vontade na contemplação e na oração. O que contempla o mistério de Deus deve anunciá-lo na vida do dia a dia.
domingo, fevereiro 10, 2008
I Domingo da Quaresma
Optar por Deus é viver o amor de filhos (Mt 4, 1-11)
Consagrado pelo Espírito, o Messias, enviado por Deus, sofre tentações: sozinho, jejuando sem comer pão, deve optar pessoalmente por Deus, antes de pregar o Deus que vai anunciar.
Com motivos diferentes, mas sempre coincidentes no seu objectivo, a tentação consiste em negar a decisão de Deus e concretiza-se em três assaltos, que estão narrados de forma simétrica:
1.º O tentador tem sempre a iniciativa (Mt 4,3.5.8); a tentação não surge fruto da situação de fome que Jesus passa; mas vem a partir de fora;
2.º Jesus reage apoiando-se na Palavra de Deus(Mt 4,4.6.10): ela serve de discernimento para acertar na prova e é guia da sua opção pessoal;
3.º O tentador não insiste nunca na mesma proposição; repete-se a tentativa, mas varia o motivo (Mt 4,3.4.9). Há que observar uma certa progressão nesses motivos que estão na base da proposta tentadora: da interrogação sobre a própria vida, passa-se à interrogação da presença de Deus, para terminar propondo a própria renúncia a Deus. Passar fome alimenta a dúvida sobre a providência de Deus que culmina na procura de outros deuses, que dão mais segurança e a quem terminaremos por adorar.
Como vencer as tentações que todos os dias nos assaltam?
Jesus, citando um texto no qual se recorda a Israel que a fome passada no deserto foi prova de uma pedagogia paterna (Dt 8,3; cf. 8,2-6), responde que para viver não precisa do pão material, mas de tudo quanto tenha Deus para lhe dizer: filho de Deus não é quem não tem dificuldades, mas sim quem se alimenta da palavra de Deus. Jesus sabe que o ser Filho amado (Mt 3,17) exige que se alimente da Palavra de Deus.
A segunda tentação (Mt 4,5-6) situa-se no templo de Jerusalém, lugar privilegiado da presença de Deus no meio do seu povo. A subtileza do tentador é aterradora: serve-se da palavra de Deus para tentar o filho de Deus (Mt 4,6). Jesus responde citando um texto que impõe o serviço exclusivo de Deus (Dt 6,16). O fiel que supera a tentação torna vitorioso o Deus a quem ama e a quem serve.
O tentador, longe de se dar por vencido (MT 4, 5-6), mostra a Jesus o mundo e a sua glória e oferece-lhos, se lhe prestar culto. Somente o diabo, na sua ousadia, pode chegar tão longe: disfarça-se de Deus e apresenta-se como divino diante do filho de Deus. Jesus manda ao tentador que se afaste e o texto citado (Dt 5,9; cf. 6,13) termina pela raiz com a questão e torna desnecessárias posteriores tentações. Não há prova que não possa superar aquele para quem somente Deus deva ser adorado: dar culto ao único Deus livra-nos de prestar culto aos nossos deuses, por mais maravilhosos que nos pareçam ser. Quem se sente apaixonado por Deus tem o seu coração disponível para o serviço de Deus e amar os irmãos.
Consagrado pelo Espírito, o Messias, enviado por Deus, sofre tentações: sozinho, jejuando sem comer pão, deve optar pessoalmente por Deus, antes de pregar o Deus que vai anunciar.
Com motivos diferentes, mas sempre coincidentes no seu objectivo, a tentação consiste em negar a decisão de Deus e concretiza-se em três assaltos, que estão narrados de forma simétrica:
1.º O tentador tem sempre a iniciativa (Mt 4,3.5.8); a tentação não surge fruto da situação de fome que Jesus passa; mas vem a partir de fora;
2.º Jesus reage apoiando-se na Palavra de Deus(Mt 4,4.6.10): ela serve de discernimento para acertar na prova e é guia da sua opção pessoal;
3.º O tentador não insiste nunca na mesma proposição; repete-se a tentativa, mas varia o motivo (Mt 4,3.4.9). Há que observar uma certa progressão nesses motivos que estão na base da proposta tentadora: da interrogação sobre a própria vida, passa-se à interrogação da presença de Deus, para terminar propondo a própria renúncia a Deus. Passar fome alimenta a dúvida sobre a providência de Deus que culmina na procura de outros deuses, que dão mais segurança e a quem terminaremos por adorar.
Como vencer as tentações que todos os dias nos assaltam?
Jesus, citando um texto no qual se recorda a Israel que a fome passada no deserto foi prova de uma pedagogia paterna (Dt 8,3; cf. 8,2-6), responde que para viver não precisa do pão material, mas de tudo quanto tenha Deus para lhe dizer: filho de Deus não é quem não tem dificuldades, mas sim quem se alimenta da palavra de Deus. Jesus sabe que o ser Filho amado (Mt 3,17) exige que se alimente da Palavra de Deus.
A segunda tentação (Mt 4,5-6) situa-se no templo de Jerusalém, lugar privilegiado da presença de Deus no meio do seu povo. A subtileza do tentador é aterradora: serve-se da palavra de Deus para tentar o filho de Deus (Mt 4,6). Jesus responde citando um texto que impõe o serviço exclusivo de Deus (Dt 6,16). O fiel que supera a tentação torna vitorioso o Deus a quem ama e a quem serve.
O tentador, longe de se dar por vencido (MT 4, 5-6), mostra a Jesus o mundo e a sua glória e oferece-lhos, se lhe prestar culto. Somente o diabo, na sua ousadia, pode chegar tão longe: disfarça-se de Deus e apresenta-se como divino diante do filho de Deus. Jesus manda ao tentador que se afaste e o texto citado (Dt 5,9; cf. 6,13) termina pela raiz com a questão e torna desnecessárias posteriores tentações. Não há prova que não possa superar aquele para quem somente Deus deva ser adorado: dar culto ao único Deus livra-nos de prestar culto aos nossos deuses, por mais maravilhosos que nos pareçam ser. Quem se sente apaixonado por Deus tem o seu coração disponível para o serviço de Deus e amar os irmãos.
sábado, fevereiro 02, 2008
III Domingo Comum - As Bem-aventuranças
As Bem-aventuranças - Carta Magna do Reino (Mt 5, 1-12)
Jesus começa a pregar o seu primeiro grande discurso: o sermão da montanha, que constitui a «Carta Magna» ou a «Constituição» fundamental da nova comunidade do Reino. O sermão da montanha é a chave do Evangelho.
Aproxima-se uma multidão como sinal de universalidade: vêm da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão - não apenas a totalidade do povo judeu, mas de toda a terra, do mundo inteiro.
Distinguimos três planos diferentes caracterizados pelos lugares e pelas pessoas que os ocupam: em l° lugar, Jesus ocupa o primeiro lugar, que simboliza a montanha; 2° lugar, a multidão, um pouco afastada mas na realidade muito próxima porque a ela vão ser enviados os discípulos; 3° lugar, os discípulos que são ouvintes privilegiados da Palavra, para serem depois testemunhas vivas entre os homens.
Como Moisés na montanha Jesus vai dar a sua lei ao novo Israel, a comunidade do Reino, onde existem umas normas mínimas que sejam o distintivo dos cidadãos do reino de Deus. Moisés recebeu de Deus, mas Jesus fala com autoridade própria: «foi dito aos antigos, Eu, porém, digo-vos», porque Jesus não vem acabar com a lei mas dar-lhe pleno cumprimento (5,17-19). Em 5,20 expõe-se o tema que se vai desenvolver: «se a vossa virtude (justiça) não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus» - os escribas eram mestres em teologia, com longos anos de estudo, enquanto os fariseus eram grupos de leigos piedosos, cumpridores rigorosos e até escrupulosos da lei. Jesus no sermão da montanha fala de uma justiça tripartida: a justiça dos escribas, a dos fariseus e a dos seus discípulos.
Para entrar no reino dos Céus é necessário aceitar o plano de Deus sobre os homens. Não se trata de umas leis que temos de cumprir, mas de uma maneira de ser, de um modo de entender a vida.
a) Ser livres
As três primeiras bem-aventuranças falam-nos do primeiro passo para a felicidade, o ser livres. Ser livres, antes de mais nada, das escravidões interiores: a escravidão do dinheiro, do prazer e do poder, que não trazem felicidade, mas antes dificultam a caminho para ela.
b) As outras três bem-aventuranças falam da justiça, do amor e da verdade.
a) As duas últimas falam da paz e da perseguição. Os discípulos de Cristo serão desprezados, perseguidos, levados até à morte porque quando se leva a sério o Evangelho, vê-se como são falsos os valores do mundo. Também Jesus foi perseguido. Foi perseguido por Herodes, os habitantes de Nazaré acusam-nO de curar ao Sábado, querem matá-lO porque ressuscitou Lázaro… Se O perseguiram a Ele também nos perseguirão a nós. Não nos faltarão dificuldades e perseguições, mas a palavra de Cristo continua de pé: «no mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo» (Jo 16,33).
"A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha. Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz" (LG 8).
Aproxima-se uma multidão como sinal de universalidade: vêm da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão - não apenas a totalidade do povo judeu, mas de toda a terra, do mundo inteiro.
Distinguimos três planos diferentes caracterizados pelos lugares e pelas pessoas que os ocupam: em l° lugar, Jesus ocupa o primeiro lugar, que simboliza a montanha; 2° lugar, a multidão, um pouco afastada mas na realidade muito próxima porque a ela vão ser enviados os discípulos; 3° lugar, os discípulos que são ouvintes privilegiados da Palavra, para serem depois testemunhas vivas entre os homens.
Como Moisés na montanha Jesus vai dar a sua lei ao novo Israel, a comunidade do Reino, onde existem umas normas mínimas que sejam o distintivo dos cidadãos do reino de Deus. Moisés recebeu de Deus, mas Jesus fala com autoridade própria: «foi dito aos antigos, Eu, porém, digo-vos», porque Jesus não vem acabar com a lei mas dar-lhe pleno cumprimento (5,17-19). Em 5,20 expõe-se o tema que se vai desenvolver: «se a vossa virtude (justiça) não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus» - os escribas eram mestres em teologia, com longos anos de estudo, enquanto os fariseus eram grupos de leigos piedosos, cumpridores rigorosos e até escrupulosos da lei. Jesus no sermão da montanha fala de uma justiça tripartida: a justiça dos escribas, a dos fariseus e a dos seus discípulos.
Para entrar no reino dos Céus é necessário aceitar o plano de Deus sobre os homens. Não se trata de umas leis que temos de cumprir, mas de uma maneira de ser, de um modo de entender a vida.
a) Ser livres
As três primeiras bem-aventuranças falam-nos do primeiro passo para a felicidade, o ser livres. Ser livres, antes de mais nada, das escravidões interiores: a escravidão do dinheiro, do prazer e do poder, que não trazem felicidade, mas antes dificultam a caminho para ela.
b) As outras três bem-aventuranças falam da justiça, do amor e da verdade.
a) As duas últimas falam da paz e da perseguição. Os discípulos de Cristo serão desprezados, perseguidos, levados até à morte porque quando se leva a sério o Evangelho, vê-se como são falsos os valores do mundo. Também Jesus foi perseguido. Foi perseguido por Herodes, os habitantes de Nazaré acusam-nO de curar ao Sábado, querem matá-lO porque ressuscitou Lázaro… Se O perseguiram a Ele também nos perseguirão a nós. Não nos faltarão dificuldades e perseguições, mas a palavra de Cristo continua de pé: «no mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo» (Jo 16,33).
"A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha. Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz" (LG 8).
sábado, janeiro 19, 2008
II Domingo Comúm: O dom do Baptismo no Espírito
O testemunho de João sobre Jesus (Jo 1, 29-34)
O episódio começa com uma constatação: “no dia seguinte”. Estas referências cronológicas irão sucedendo-se (1, 35.43) até terminarem no sexto dia, no qual se realizará o primeiro sinal em Caná da Galileia (2, 1). Este testemunho de João substitui o relato do baptismo que encontramos nos sinópticos.
É o testemunho fundamental de João Baptista, que pouco a pouco afirma de Jesus:
- É o Cordeiro de Deus. O simbolismo é múltiplo. É o cumprimento do sacrifício de Isaac. É o cordeiro que todos os dias se sacrifica no Templo. É o servo de Javé, levado ao matadouro (Is 53, 7). É o cordeiro pascal.
- Que tira o pecado do mundo. Como cordeiro pascal liberta-nos de toda a escravidão. Todas as transgressões dos homens ficam personificadas num pecado único, no qual todas têm a sua raiz, sinal da opressão que sofre toda a humanidade. Este pecado, já existente, manifestar-se-á na recusa de Jesus (16, 19).
- Existia antes de mim. Na cronologia humana, Jesus é posterior a João. Mas já tinha dito o evangelista que “no princípio existia a Palavra” (1,1,).
- Sobre Ele desceu o Espírito. João é testemunha: “Eu vi”. Em Marcos (1, 9) parece que Jesus é a única testemunha da teofania do Jordão. Em Mateus (3, 16-17) e em Lucas (3, 21-22) todos os presentes são testemunhas do Espírito que desce e da voz que se ouve. Aqui é o Baptista o único que vê e escuta. Está oferecendo-nos a sua experiência pessoal que responde ao “contemplámos a sua glória” (1, 14). Para João esta vinda do Espírito é sinal do carácter messiânico de Jesus. No princípio, o Espírito pairava sobre as águas (Gen 1, 2). Sobre o tronco de Jessé tinha de repousar o Espírito do Senhor (Is 11, 1). O mesmo sobre o Servo de Javé (Is 42, 1).
Ele baptizará no Espírito Santo. Pela segunda vez consecutiva João confessa que não conhecia Jesus. O seu testemunho apoia-se não no conhecimento humano, mas na revelação divina que ele recebeu e da qual se diz testemunha. O baptismo com água é substancialmente diferente do baptismo com o E. S. A água limpa e purifica de modo superficial e externo. O E. S. penetra até ao mais profundo e purifica o próprio interior. Este baptismo com o Espírito é o meio de tirar o pecado do mundo. Quem não nasça da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (3, 5).
- Este é o Filho de Deus. Chegamos ao ponto culminante do testemunho do Baptista. Jesus recebeu do Pai a sua própria vida e o seu próprio Espírito. Este é o tema que desenvolverá todo o Evangelho, escrito, “para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus” (20, 31).
Jesus recebeu com o Espírito a sua investidura messiânica. Deste modo cumprir-se-á a sua missão de libertar todo o homem da opressão do pecado.
O episódio começa com uma constatação: “no dia seguinte”. Estas referências cronológicas irão sucedendo-se (1, 35.43) até terminarem no sexto dia, no qual se realizará o primeiro sinal em Caná da Galileia (2, 1). Este testemunho de João substitui o relato do baptismo que encontramos nos sinópticos.
É o testemunho fundamental de João Baptista, que pouco a pouco afirma de Jesus:
- É o Cordeiro de Deus. O simbolismo é múltiplo. É o cumprimento do sacrifício de Isaac. É o cordeiro que todos os dias se sacrifica no Templo. É o servo de Javé, levado ao matadouro (Is 53, 7). É o cordeiro pascal.
- Que tira o pecado do mundo. Como cordeiro pascal liberta-nos de toda a escravidão. Todas as transgressões dos homens ficam personificadas num pecado único, no qual todas têm a sua raiz, sinal da opressão que sofre toda a humanidade. Este pecado, já existente, manifestar-se-á na recusa de Jesus (16, 19).
- Existia antes de mim. Na cronologia humana, Jesus é posterior a João. Mas já tinha dito o evangelista que “no princípio existia a Palavra” (1,1,).
- Sobre Ele desceu o Espírito. João é testemunha: “Eu vi”. Em Marcos (1, 9) parece que Jesus é a única testemunha da teofania do Jordão. Em Mateus (3, 16-17) e em Lucas (3, 21-22) todos os presentes são testemunhas do Espírito que desce e da voz que se ouve. Aqui é o Baptista o único que vê e escuta. Está oferecendo-nos a sua experiência pessoal que responde ao “contemplámos a sua glória” (1, 14). Para João esta vinda do Espírito é sinal do carácter messiânico de Jesus. No princípio, o Espírito pairava sobre as águas (Gen 1, 2). Sobre o tronco de Jessé tinha de repousar o Espírito do Senhor (Is 11, 1). O mesmo sobre o Servo de Javé (Is 42, 1).
Ele baptizará no Espírito Santo. Pela segunda vez consecutiva João confessa que não conhecia Jesus. O seu testemunho apoia-se não no conhecimento humano, mas na revelação divina que ele recebeu e da qual se diz testemunha. O baptismo com água é substancialmente diferente do baptismo com o E. S. A água limpa e purifica de modo superficial e externo. O E. S. penetra até ao mais profundo e purifica o próprio interior. Este baptismo com o Espírito é o meio de tirar o pecado do mundo. Quem não nasça da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (3, 5).
- Este é o Filho de Deus. Chegamos ao ponto culminante do testemunho do Baptista. Jesus recebeu do Pai a sua própria vida e o seu próprio Espírito. Este é o tema que desenvolverá todo o Evangelho, escrito, “para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus” (20, 31).
Jesus recebeu com o Espírito a sua investidura messiânica. Deste modo cumprir-se-á a sua missão de libertar todo o homem da opressão do pecado.
sábado, janeiro 12, 2008
Baptismo do Senhor - 13 de Janeiro
Pelo Baptismo somos novas criaturas
O Baptismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho, quando mandou aos Apóstolos: «Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Por essa razão o Baptismo é, em primeiro lugar, o sacramento daquela fé pela qual os homens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao Evangelho de Cristo.
Além disso, o Baptismo é o sacramento pelo qual os homens se tornam membros do corpo da Igreja, edificados uns com os outros em morada de Deus no Espírito e em sacerdócio real e povo santos, é também vínculo sacramental da unidade que existe entre todos os que são assinalados por ele.
O Baptismo, banho de água acompanhado da palavra da vida, limpa os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal e torna-os participantes da natureza divina e da adopção de filhos (…) A invocação da Santíssima Trindade sobre os baptizandos faz com que estes, marcados pelo seu nome, Lhe sejam consagrados e entrem em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Superando de longe as purificações da antiga lei, o Baptismo produz estes efeitos pela força do mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor. Na verdade, os que são baptizados, são configurados com Cristo por morte semelhante à sua, sepultados com Ele na morte, também n’Ele são restituídos à vida e juntamente com Ele ressuscitam.
O Baptismo, porta da vida e do reino, é o primeiro sacramento da nova lei, que Cristo propôs a todos para terem a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja, juntamente com o Evangelho, quando mandou aos Apóstolos: «Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Por essa razão o Baptismo é, em primeiro lugar, o sacramento daquela fé pela qual os homens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao Evangelho de Cristo.
Além disso, o Baptismo é o sacramento pelo qual os homens se tornam membros do corpo da Igreja, edificados uns com os outros em morada de Deus no Espírito e em sacerdócio real e povo santos, é também vínculo sacramental da unidade que existe entre todos os que são assinalados por ele.
O Baptismo, banho de água acompanhado da palavra da vida, limpa os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal e torna-os participantes da natureza divina e da adopção de filhos (…) A invocação da Santíssima Trindade sobre os baptizandos faz com que estes, marcados pelo seu nome, Lhe sejam consagrados e entrem em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Superando de longe as purificações da antiga lei, o Baptismo produz estes efeitos pela força do mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor. Na verdade, os que são baptizados, são configurados com Cristo por morte semelhante à sua, sepultados com Ele na morte, também n’Ele são restituídos à vida e juntamente com Ele ressuscitam.
(Cf. Ritual da celebração do Baptismo)
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