Celebrámos o Natal e o Domingo da Sagrada Família. Deus criou-nos família e Cristo quis entrar na nossa história nascendo numa família humilde e discreta de Nazaré, perante a grandeza da Roma imperial. Corremos de longe ou de perto para consoar com a nossa família na noite de Natal. Mas que família, e que dramas se viveram nessa noite de Natal perante a crise da família (!). Era esta pequena reflexão que eu queria fazer convosco, caros paroquianos.
Estamos numa cultura a que chamamos não já da pós-modernidade, mas da ultra-modernidade. Ela caracteriza-se principalmente pela:
¤ negação dos absolutos;
¤ renúncia à verdade;
¤ negação das cosmovisões;
¤ perda do sentido histórico;
¤ renascimento do politeísmo: “volta triunfal dos deuses” ;
¤ prática de vida em que o homem aparece como objecto e não uma pessoa;
¤ globalização, multiculturalidade, revolução informática, tutela do meio ambiente, de costas viradas às raízes cristãs.
As consequências sobre a família são:
¤ fazer do divórcio algo normal e banal (divórcio “Express”; festas de divórcio);
¤ fazer da infidelidade, do aborto, da anticoncepção, algo pessoal, sem norma, sem lei:
¤ casar no Senhor (na Igreja), sem crer no Senhor, por razões que não nascem da fé;
¤ perda dos valores objectivos sendo que cada um surge como norma moral de si mesmo,
¤ não existe sexo, existe o género, e cada um é livre para escolher se é heterossexual, bisexual ou homossexual;
¤ não há modelo de matrimónio e qualquer tipo de união é válida e exige consideração de igualdade em relação às outras.
Isto gerou uma profunda transformação da família tradicional: o divórcio a atingir 50% em Portugal e nalgumas zonas dos USA os 75%, as famílias monoparentais, os casais com filhos de casamentos anteriores e filhos comuns (que confusão na cabeça das crianças!) …
Este quadro negro, em quadra de Natal, em que Jesus veio como Esperança para o mundo, não nos pode deixar indiferentes. A Família tem de ser uma prioridade da nossa pastoral, da nossa oração, de todos nós, sociedade, igreja. Sem família não teremos nada. Estamos a construir um mundo de infelizes. É hora de acordar, de contemplar a família de Nazaré e encarnarmos o seu modelo nos dias de hoje.
Um Feliz ANO NOVO para todas as famílias. Parabéns aos que neste ano têm a graça e a alegria de celebrar 25, 50 ou mais anos de matrimónio.
domingo, dezembro 30, 2007
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