sábado, setembro 15, 2007

XXIV Domingo - A alegria do perdão

A alegria do perdão (Lc 15, 1-32)
Se quiséssemos descobrir algumas das características breves e significativas de como é o Deus de que nos fala Jesus, bastaria ler este capítulo 15 de Lucas.
O cap. 15 consta de um preâmbulo e de três parábolas. A primeira - a da ovelha perdida - é já conhecida de Mateus (18, 12-14); aqui está num contexto diferente, para apoiar um ensinamento diferente. Acrescenta-se-lhe uma outra parábola gémea que seja mais facilmente entendida pelas mulheres por estar tomada da sua vida. Encerra-se esta trilogia com a belíssima parábola que põe em contraste os homens entre si e os homens com Deus, para que no meio das sombras brilhe com todo o seu esplendor o coração do Pai. À palavra antepõe Jesus o testemunho da sua vida: acolhe os pecadores e descrentes e senta-se com eles à mesa. Com obras e palavras mostra-se como é Deus que procura o pecador, convida-o à penitência e alegra-se com a sua conversão.
Nas três parábolas encontramos um final semelhante: necessidade de partilhar a alegria, porque se encontrou o que estava perdido. Facilmente entendem e experimentam esta alegria o pastor, a mulher e o pai; mas para aqueles que não são protagonistas no encontro do que estava perdido, sentem-se alheios a esta alegria. Nos três casos se torna imprescindível o convite: “Alegrai-vos comigo”, “tinha de fazer uma festa e alegrar-me”. Poderíamos inclusive descobrir uma certa graduação nesta alegria se temos em conta que o que se tinha perdido se encontrou é: uma ovelha entre cem, uma moeda entre dez e um filho entre dois.Nos três casos é Deus - o pastor, a mulher, o pai - o que toma a iniciativa de ir ao encontro. Uma diferença importante se manifesta: perante a falta de responsabilidade da ovelha e da moeda, aparece o exercício da liberdade no filho. O pai respeita as decisões do filho, o que supõe para ele estar com o coração a sangrar à espera que regresse. O pai, que o espera, acolhe-o e abraça-o. A sua magnanimidade está em contraste com o coração do filho mais velho: vivendo sempre dentro da mais estrita legalidade - espírito farisaico - não é capaz de se alegrar com o regresso do irmão. Acreditando viver como filho, converteu-se em estranho. O pai, como Jesus na sua actuação contínua, mesmo por cima das leis, move-se no amor.

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