O evangelho de hoje (Lc 12,49-53) está em relação com o tema da radicalidade que se exige a todo aquele que quer ser discípulo de Jesus. As contradições, tão próprias da literatura semita, são paz-guerra e amor-ódio. Jesus profetiza dizendo que vem trazer o fogo à terra: temos de travar um combate e devemos participar nessa guerra. Jesus fala servindo-se de metáforas, imagens e comparações compreensíveis para a sua época. Não podemos fazer uma interpretação literal dos textos porque de outro modo não encontraríamos sentido para «se alguém quiser ser meu discípulo e não odiar o seu pai, mãe…» (Lc 14, 26).Contudo, o que Jesus quer pedir aos seus discípulos continua válido para os homens e mulheres do século XXI: temos de amar e não odiar. Perante os valores deste mundo o Evangelho continua a ser um sinal de contradição. A guerra tem de ser esta: perante a injustiça e a falta de amor, o continuar a amar é que constitui o combate que temos de travar. Os «nossos» (familiares, bens…) não são mais nossos quando vivemos a radicalidade do amor e isso traz o fogo à terra. Aos «nossos» amamo-los, mas sem renunciar ao que Deus deseja de nós. E se os nossos não nos aceitam nesta guerra de amor, a partir do Evangelho e com o Evangelho, continuarão a ser «nossos», mas não faremos o que eles querem. Esta foi a experiência de Jesus de Nazaré.
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