sábado, julho 28, 2007

Domingo XVII do Tempo Comum

O Evangelho de S. Lucas apresenta, neste domingo, os seguintes elementos sobre a oração cristã:

. Jesus, homem de oração;
. O Pai-Nosso, modelo de oração;
. Insistência na oração;
. Confiança de alcançar o que se pede.

A diferença entre a oração dos pagãos e a oração dos cristãos é a seguinte:

- Os pagãos sentem-se escravos e mendigos diante de um Deus que quer ser amado e servido. A oração trata de fazer mudar Deus, de o enternecer, de o comover.

- Os cristãos são e sentem-se filhos de um Deus que ama e é servidor. Não querem fazer mudar a Deus, mas sentem-se interpelados para a própria conversão.

- Os pagãos aproximam-se e entram em contacto com Deus que não dá conta de nada: temos de o informar, de lhe recordar coisas... até que se deixe guiar pelos que rezam e faça o que lhe pedem.

- Para os cristãos, é Deus quem nos fala, é sua a iniciativa na nossa oração. Deus conhece-nos a todos e a cada um e não se esquece de ninguém nem de nada. Os cristãos devem estar atentos para escutar a Deus que nos fala, para ouvir o que não queríamos ouvir ou não tínhamos dado ocasião de nos dizer.

- Os pagãos pedem a Deus com a dúvida de que conceda o que lhe pedem. O seu Deus manda doenças e morte. É um Deus omnipotente em força e poder.

-Os cristãos sabemos que Deus nos escuta e quer dar-nos mais do que lhe pedimos. Ele sofreu e morreu por nós. É um Deus omnipotente em amor e serviço.

- Para os pagãos, a oração de adoração é entregar-se a Deus: perfumá-lo, louvá-lo, gestos exteriores... A oração de petição é como o recurso a um “Deus lotaria” a quem se pedem coisas para ver se há sorte...

- A oração cristã não é pedir coisas a Deus, mas permanecer diante d’Ele o tempo necessário para nos deixarmos encher por Ele. O tempo da oração é o tempo “da encarnação de Deus em nós”, o tempo em que nos deixamos inspirar, o tempo em que nos deixamos transformar à sua imagem. O cristão é uma pessoa que testemunha que Deus lhe falou, que tem vontade de trabalhar como Ele, que lhe comunicou os seus gostos: o da pobreza, a humildade, a justiça, até se libertar dos seus próprios gostos. Orar é deixar-se encher da fonte de paz e amor até que esse desejo se faça acção e realidade em nós.

sábado, julho 21, 2007

XVI Domingo - O amor a Deus

A parábola do bom samaritano, que meditámos no Domingopassado, esclareceu o aspecto do amor ao próximo, que aparece já como resposta à Palavra de Deus. Mas também é necessário falar do amor a Deus. Isto acontece no episódio das irmãs Marta e Maria. Para além do sentido estrito do texto (trabalho de Marta e a escuta de Maria), não podemos fazer uma comparação entre as duas irmãs, de modo que aceitemos uma e desprezemos a outra. De facto, se convidaram Jesus, a cortesia exige as duas coisas: atender pessoalmente na conversação e preparar-lhe a mesa. É a amizade simbolizada na conversação a que dá sentido e valor à mesa.
A intenção do texto é esta: quando se tem a dita de receber Jesus, o escutá-lo tem de ser a primeira preocupação, mesmo por cima de atender às suas necessidades. Situando o episódio neste lugar, Lucas quer mostrar que há algo superior às obras de misericórdia realizadas pelo bom samaritano. Se tomamos o episódio como paradigmático, facilmente podemos concluir que para a implantação do Reino são necessárias a acção e a contemplação, sendo esta a que

quarta-feira, julho 18, 2007