terça-feira, junho 05, 2007

Domingo da Santíssima Trindade

Reflexão para esta semana

Impulsionada pela força do Espírito Santo, derramado no dia do Pentecostes, a Igreja nascente caminha nas pegadas do Senhor, que a precede no seu caminho para o Pai, horizonte e meta de tudo quanto existe. A fé trinitária é afirmada em todas as passagens dos Actos dos Apóstolos.

É no grupo das cartas paulinas que encontramos mais referências à fé trinitária dos primeiros seguidores de Jesus. Vejamos alguns dos textos mais importantes que referem a fé na Trindade das comunidades fundadas por S. Paulo e qual o seu significado para a nossa fé no Deus Uno e Trino.

«Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que está em Tessalónica. A vós, graça e paz. Damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações; a vosso respeito, guardamos na memória a actividade da fé, o esforço da caridade e a constância da esperança, que vêm de Nosso Senhor Jesus Cristo, diante de Deus nosso Pai, conhecendo bem, irmãos amados de Deus, a vossa eleição, pois o nosso Evangelho não se apresentou a vós apenas como uma simples palavra, mas também com poder e com muito êxito pela acção do Espírito Santo; vós sabeis como estivemos entre vós para vosso bem» (1Ts 1, 1-5).

Este é o texto mais antigo do Novo Testamento, podendo ser datado do ano 50, menos de duas décadas após a morte de Jesus. A fé trinitária está presente nesta carta e podemos assegurar que os primeiros cristãos tinham bem presente, logo desde o início, a singular relação entre o Pai Deus, o seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo, embora não chegassem a formular o dogma trinitário como aconteceu séculos mais tarde.
Este antiquíssimo testemunho Paulino remonta aos primeiros tempos da expansão missionária. Já, então, podemos observar que os primeiros cristãos tinham uma forte consciência de que a sua salvação, o seu chamamento a uma nova vida, procedia de Deus Pai, tinha-lhes sido anunciada em nome do seu Filho Jesus Cristo e tinha-se realizado pela força do Espírito Santo.

«Sois filhos bem amados de Deus e procedei com amor, como também Cristo nos amou e se entregou a Deus por nós como oferta e sacrifício de agradável odor» (Ef 5, 1-2).

O que melhor manifesta a mais profunda identidade do Ser de Deus é o amor: Amor pelo qual o Pai, o Filho e o Espírito se unem entre si e com toda a humanidade. Amor pelo qual Cristo se revela como o autêntico e único Filho de Deus e pelo qual vive toda a Sua vida como uma oferta ao Pai, convertendo-se em exemplo para todos o seus seguidores.
O amor, que procede do próprio Ser de Deus e que se transmite aos seus filhos pelo Filho através da acção do Espírito Santo, converte-se em luz para a sua própria vida e para aqueles que os contemplam: agora sois luz no Senhor. Quando vivemos de outro modo, não só faltamos à nossa própria identidade, negando a relação filial que mantemos com Deus, como também causamos tristeza ao Espírito de Deus: «Não ofendais o Espírito Santo de Deus, selo com o qual fostes marcados para o dia da redenção» (Ef 4, 30).

Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros.
A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos nele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito.
Nós o contemplamos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Quem confessar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1Jo 4, 7-16).

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