Ascensão do Senhor – Encerramento da Semana da Vida
Para reflectir – A Palavra de Deus
I Leitura (Act 1, 1-11)
Nos Actos dos Apóstolos S. Lucas quer revitalizar as comunidades cristãs cansadas de esperar o regresso do Senhor, que pensavam não tardar. Lembra que ninguém sabe os tempos ou os momentos que o Pai determinou e destaca o testemunho dos Apóstolos a quem Jesus, depois da sua paixão, se apresentou vivo, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Realça também as últimas instruções aos Apóstolos, nomeadamente sobre a acção do Espírito que faria deles suas testemunhas … até aos confins da terra. A Igreja vive no tempo e os cristãos não devem estar parados de olhos fixos no Céu.
Nos Actos dos Apóstolos a Ascensão dá-se no Cenáculo, à mesa, lugar da Eucaristia e do Mandamento Novo. É agora que vais restaurar o reino de Israel?
Esta pergunta mostra até que ponto os Apóstolos ainda pensavam em termos de poder, prestígio, honras…e Jesus vai dizer-lhes que somente o Baptismo no Espírito os levaria a compreender o que o Senhor dizia sobre o testemunho, o tempo e o espaço da Igreja.
Não se é evangelizado nem se evangeliza sem a luz e a força do Espírito Santo.
II Leitura (Ef 1, 17-23)
S. Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso, quer que eles compreendam a esperança a que foram chamados. O fundamento está na poderosa força que Deus exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou acima de tudo, como cabeça de toda a Igreja que é o seu Corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos.
É nossa vocação ser Corpo de Cristo e participar da vida que circula d’Ele, cabeça, para nós, seus membros. Esta alegre esperança não pára em nós. Já não é tempo de aguardar expectantes, pois o Espírito Santo já se derramou na Igreja e nos nossos corações. É a hora de os membros do Corpo de Cristo, depositários da plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos, abraçarem a missão e serem testemunhas até aos confins da terra. Cristo, que partiu, chama-nos a ocupar o seu lugar.
Evangelho (Lc 24, 46-53)
O testemunho tem como tema central o seguinte: O Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e havia de ser pregado em seu nome o arrependimento dos pecados. Isto, que escandaliza até os Apóstolos, é a diferença entre a mentalidade dominante e Cristo: sendo de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus, despojou-se a Si mesmo, tomando a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens… e humilhou-se a Si mesmo, obediente até à morte e morte de cruz (Fil 2, 6-8). Em plena Ceia, a discussão sobre quem é o maior, contrasta com a atitude do Mestre que está com quem serve (Lc 22, 27). Ele é a verdade do Reino e do Homem Novo: doação até à morte, anúncio do arrependimento e mudança de vida, ressurreição. A humanidade nova encontra-se na alegria da comunhão com Deus, em Cristo, Homem novo. Confirma-se o desígnio inicial do Criador que predestinou a nossa humanidade para ser glorificada.
Que exigências nos coloca, à nossa vida cristã, esta semana da vida?
1.ª Num novo contexto de luta pela vida os Bispos de Portugal apelam a uma acção evangelizadora, atenta a uma cultura não impregnada de valores éticos fundamentais. O Evangelho oferece esses valores.
2.ª Sem a acção do Espírito Santo ninguém é evangelizado nem é evangelizador. Não fiquemos a olhar para o Céu.
3.ª A Ascensão associa a vida humana à glorificação de Cristo ressuscitado. A felicidade humana é preocupação de Deus.
4.ª A glória de Deus é o homem vivo (Santo Ireneu). Jesus veio para servir. A cruz é escândalo, mas sinal decisivo a erguer diante de todos para que renasçam no Espírito.
5.ª A Palavra de Deus e a Eucaristia edificam-nos como Igreja enviada a testemunhar no mundo que Deus não desiste de nos restituir à felicidade da comunhão a que nos chama desde sempre.
sábado, maio 19, 2007
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