domingo, maio 13, 2007

6.º Domingo de Páscoa

Para reflectir
6.º Semana de Páscoa
O «espírito» do «Concílio» de Jerusalém (Act 15, 1.22-29)

O Livro dos Actos dos Apóstolos apresenta-nos, na liturgia desta sexta semana da Páscoa, um dos episódios mais importante da vida das primeiras comunidades cristãs: O Concílio de Jerusalém.
A comunidade cristã de Antioquia da Síria tinha enviado Paulo e Barnabé (anos 46-48) na primeira viagem missionária, e o anúncio do Evangelho aos pagãos tinha sido coroado de êxito. Isto iria colocar um desafio à Igreja de Jerusalém onde a maioria dos seus membros era proveniente do judaísmo. Os pagãos tinham ou não de submeter-se à lei de Moisés, isto é, tinham de se circuncidar para serem cristãos? A questão era tão importante que motivou a reunião dos responsáveis da Igreja porque estavam em jogo realidades muito importantes: Onde está o que fez Jesus por cada um de nós? Que valor tem a morte e a ressurreição de Jesus? A salvação está na Lei ou em Jesus?
Após a deliberação dos responsáveis da comunidade cristã, toma-se a decisão que a Lei não é necessária para a salvação. Não se devem obrigar os pagãos a submeter-se à circuncisão, mas sim abrirem-se (aceitarem) a graça de Deus. Esta é a grande luta pela liberdade cristã que começa logo nos inícios da Igreja. Não nos podemos esquecer que Jesus e Paulo viverem submetidos à Lei de Moisés mas, no momento próprio, decidiram abandonar esse caminho. O cristianismo encontrou a sua identidade abandonando a Lei (a Torah judia) e identificando-se com Cristo crucificado e ressuscitado.

O amor deve transformar o mundo (Jo 14, 23-29)
Estamos no discurso de despedida de Jesus com os seus discípulos, na Última Ceia. Jesus diz aos seus discípulos que a sua palavra é a palavra do Pai. Quando Ele não estiver com eles, essa palavra continuará a ser proclamada e a dar vida porque o Espírito Santo, o Espírito do Pai e do Filho, completará tudo aquilo que for necessário à vida da comunidade. Jesus despede-se dos seus num tom cordial de fidelidade (deixa o Espírito que continua a sua missão) e dá-lhes o dom da paz.
Para o quarto Evangelho, o de S. João, o mundo é todo aquele que não ama. Por esta razão, a mensagem do Evangelho é muito simples: Quem ama está a cumprir a vontade de Deus, do Pai. Por isso, quem ama no mundo, mesmo que não seja dos “discípulos” de Jesus, também está a colaborar no processo de transformação deste mundo em Reino de Deus, porque o Espírito está para além de todas as barreiras, povos e, mesmo, religiões. Ninguém pode aprisionar o Espírito e Ele actua no coração daqueles que amam a Deus e os irmãos. O mundo necessita o amor que Jesus propõe para que Deus “seja morada” em nós. Onde há amor, aí existe Deus, e Deus habita nele.

Sem comentários: